A INFLUÊNCIA DA CULTURA JUDÁICA E GRECO-ROMANA, NA FILOSOFIA DO RITO ESCOCÊS

A INFLUÊNCIA DA CULTURA JUDÁICA E GRECO-ROMANA, NA FILOSOFIA DO RITO ESCOCÊS .

Ao sermos iniciados no Rito Escocês; ficamos maravilhados com a ritualística, desse Rito, trata de algo novo que ainda não conhecíamos, trazendo a luz e revelando o novo para nós.
Na verdade isso ocorre também no nosso dia-a-dia; quando temos acontecimentos de fatos novos, somos por vezes impressionados por essas novidades.



Embora desconhecemos que num passado distante, outras pessoas construíram princípios que deram os fundamentos, para que hoje pudéssemos usar de forma: original ou modificada, aquilo que julgamos importante para atender as nossas necessidades presentes. Tanto nas instituições: sociais, naturais ou sobre-naturais.

É muito fácil, hoje provarmos os Teoremas de Pitágoras, ou na Política com a democracia, como forma de governos que organiza uma sociedade, bem como elaborar um conhecimento em relação a premissa da existência de Deus, através da Teologia.

Portanto tudo o que falamos ou fazemos hoje, no mundo ocidental e parte do asiático , seja no campo da Ciência ou da Religião. O nosso conhecimento e compreensão esta alicerçado em fundamentos bem profundos. Sustentado e representado por três colunas culturais. A RELIGIÂO, A FILOSOFIA E A POLÍTICA. Onde estão plantados todos os princípios de .modus vivendi., de nossa atual sociedade humana.

O próprio conceito de Cultura, dado por M. J. Herskovits, A Cultura é essencialmente uma construção mental que descreve o corpo total da crença, comportamento, conhecimento, sanções, valores e objetos que caracterizam o modo de vida de qualquer povo. Isto é, embora uma cultura possa ser tratada pelo estudioso como passível de uma descrição objetiva, em última análise ela compreende as coisas que o povo tem,as coisas que ele faz e o que ele pensa . Este conceito entre tantos outros, reúne as principais categorias que são: Histórica, Descritiva, Normativa, Psicológica e Estrutural. Os critérios pelos quais se reconhece a Cultura: . é que precisa ser inventada, precisa ser transmitida de uma geração a outra e precisa ser perpetuada em sua forma original ou numa forma modificada.

A cultura da herança religiosa com os hebreus, (monoteísmo), a crença em um único Deus.

A cultura da herança filosófica, com os gregos, (logos), conhecimentos racional.

A cultura da herança política com os romanos (direito), codificando as leis escritas.



A RELIGIÃO . etimol. Do latim, Re-ligare ligar novamente, o que estava separado, com a promessa em Abrão. Deus estava ligando o homem de novo ao criador, através de um culto prestado a divindade, reconhecendo como um dever sagrado e com uma crença viva.

Sociologicamente . um sistema solidário de crenças e práticas relativas as coisas sagradas, isto é, separados interditados e que unem em uma mesma comunidade moral, chamada igreja.

A herança da cultura judáica, através dos hebreus há 4200 anos, com o patriarca Abraão, criou a crença em um único Deus (monoteísmo), com esse princípio serviu também, para a formação no futuro de outras religiões como: o cristianismo e o islamismo.


A FILOSOFIA . Ciência geral dos princípios e causas, ou sistema de noções gerais sobre o conjunto das coisas, esforço para generalizar, aprofundar, refletir e explicar, sistema de valores, força moral e elevação de espírito com que o homem se coloca acima dos preconceitos.

Filosofar- raciocinar sobre assuntos filosóficos, discorrer sobre qualquer matéria científica.

A herança da cultura grega, com a busca do conhecimento do cósmico, a fim de ter respostas para as perguntas, que fazia sobre a origem do mundo e sobre os fenômenos naturais que ele via acontecer à sua volta,deu inicio ao período racional. Foram os gregos, os primeiros a usar maneiras diferentes de pensar para discernir entre o que tem existência aparente e o que tem existência real.

-QUE É QUE EXISTE ?

-DE ONDE VIERAM AS COISAS ?

-COMO É QUE ELAS SE TORNARAM ?

-O QUE É O SER ?


Há . 2600 anos, Tales de Mileto, um dos sete sábios da Grécia antiga, ficou famoso a partir da previsão que fez da eclipse que ocorreu no ano 585 a. C. acertou o dia e os locais de onde podia ser observado. Foi o primeiro filósofo, que iniciou a argumentação racional na justificação das teses que explicam as origens das coisas.

Para ele, a .água. era o princípio criador de todas as coisas. Dando origem a outras filosofias, que defendiam o - .ar., como substância inicial, o .fogo., seria o princípio básico, e a .terra., com esses elementos, formariam os quatro elementos primitivos.


PITÁGORAS . 582-497. a . C. Criou a escola de transmitir conhecimentos. Que baseava numa ciência experimental e acompanhada de uma organização completa da vida. Seu pensamento filosófico e a concepção que ele formulou sobre o - .dualismo essencial., entre o limitado e o ilimitado, e, a equação de coisas e números.


SÓCRATES - 469-399. a.C. Para Sócrates, o objetivo primordial da filosofia é o ensino da virtude. Foi o primeiro filósofo a adotar um método que batizou com o nome de . .maiêutica., tem por objetivo descobrir a verdade por meio da discussão. Lançava mão de uma pergunta, vinha a resposta e fazia outra pergunta em cima da resposta e, assim sucessivamente, ate que julgasse estar mais perto da verdade. É tido como o inventor do raciocínio indutivo, iniciador da metafísica.

PLATÃO - 427-348. a . C. Foi tido como discípulo de Sócrates, amplia especulação sobre o conceito . estabelecendo sua teoria das .IDÉIAS.. Para Platão, as coisas nada mais são que meras sombras das idéias. Seu método foi batizado de .DIALÉTICA.. Suas principais obras.. Republica (sobre a justiça e sobre o Estado). Fedon, (sobre a imortalidade da alma e da doutrina das idéias). Gorgias, (sobre retórica). O banquete, (sobre o amor),. Protágoras, (sobre o nascimento das idéias entre si). Filebo, (sobre o prazer). Fedro, (sobre a beleza). Além de outras obras.


ARISTÓTELES. . 384-322. a . C. . Considerado filosofo por excelência, Suas obras falam sobre uma infinidade de assuntos.. Ciência, Política, Matemática, Biologia, Ciências Naturais, Lógica, Moral, Psicologia, Metafísica, Meteorologia e a própria critica literária. Foi criador da LÓGICA DEDUTIVA, método criado através de três principio.. 1)- Princípio de identidade. 2)- Princípio de não contradição. 3)- Princípio de terceiro excluído.

OS ROMANOS- Influenciou com a Cultura do DIREITO, codificando através da escrita. Dando princípios de normas obrigatórias, que disciplinam as relações dos homens em sociedade, com um conjunto de Leis, que estabelecem a forma pela qual se devem fazer valer os direito.

NA POLÍTICA . através da ascensão da REPUBLICA, em 510 a . C.- provocando grande mudança no contexto da sociedade humana e nas condições de vida. Um ano depois 509 a . C. .O cônsul Valério Poplicola, promulgou uma Lei, que obrigava os magistrados ao recurso ou apelação, .EX-OFICIO., para a Assembléia Geral, sempre que a vida ou os direitos de um cidadão estivesse em causa. Essa Lei Valeria, foi chamada de ( Hábeas Corpos de Roma ).

A luta dos Plebeus, para que as Leis de Roma fossem escrita e, assim, não mais tivessem de confiar na memória dos Patrícios . Em 450 a . C. A Lei das Doze Tabuas, foi publicada constituindo a base de toda a legislação romana.

O extraordinário desenvolvimento político de Roma, faz do Estado Romano o precursor de todos os Estados Modernos de tipo ocidental.

Podemos observar que através da historia, que enquanto os hebreus, já tinham a crença em um único Deus, e organizado seu código de leis religioso. Os greco-romanos ainda não eram tidos como um povo desenvolvido culturalmente, só depois de muitos séculos se tornaram sábios. E quando estes se tornaram civilizados, os anglo-saxões, viviam como bárbaros.


SECULO- XVIII
 - E tido como o útero das chamadas Ciências Humanas (sociais). Período em que o .ILUMINISMO.. ( a luz da razão),teve seu maior apogeu de conhecimento filosófico, no seu campo da razão. Com as Escolas.. EMPÍRICA E A RACIONAL.

A Escola Empírica, com Francis Bacom. Adotando o critério da experiência, como fonte de conhecimento, e, que só com ela, se pode garantir o conhecimento verdadeiro.

A Escola Racional, com René Descartes. Com o critério da evidência racional, que só aceita como única fonte de conhecimento a razão, como doutrina principal.

Dentro desse cenário intelectual. O mundo ocidental passa a ter comumente uma nova realidade social. Junto com o advento da Revolução Industrial, propiciando o progresso material. Desponta o surgimento de novas instituições sociais, em particular a Maçonaria especulativa, (intelectual). Usando como base teórica, toda influência cultural herdada historicamente.

Hoje nos valemos dessa rica herança cultural, pois a temos presente, em nossos rituais, com a Escola do Rito Escocês . criado por MICHEL RANSEY e seus colaboradores, procuraram separar da fonte religiosa judaica, e, da sua teologia criando a parte um sistema filosófico, através de uma ficção engenhosa na construção de cada grau. Formando uma hierarquia com a missão pedagógica, a fim de nos legar as leis imutáveis que regem o universo, dando ao templo de Salomão, um sistema filosófico, para a busca da verdade, com o dever de combater a superstição a ignorância e a tirania, de forma intelectual com a moral e ética, despido de toda tendência religiosa. Desde os chamados perfeição (inefáveis), até os de ordem administrativa do Supremo Conselho do Rito Escocês.

Como Escola Filosófica Maçônica. Ela tem pautado de forma pedagógica no conhecimento de ordem moral, política e ética. Com suas alegorias, a despeito de cada cenário, dentro de cada grau, para que os Maçons no seu cotidiano e nas suas relações com as instituições sociais (Política, Religiosa, Econômica e Familiar) tenham suas necessidades atendidas, de maneira harmoniosa e prazerosamente.

Embora esses propósitos só serão alcançados; pela Maçonaria atual se ela conseguir . desmistificar ., um de seus paradigmas de origem histórica . tida como mística . E para muitos maçons, base doutrinária de cunho religioso.

No presente a nossa realidade cultural é fruto de uma estratificação social com interação nos processos sociais, com um sistema de status e papéis, que possibilita a mobilidade e conquistas, dando oportunidade ao Maçom desenvolver diferentes projetos nas áreas sócio cultural em favor da sociedade. Somos diferente da classe que pertenciam os Maçons, quando fundaram a instituição no final do século, XVII e início do século XVIII. Vinham de uma casta social, composta pela nobreza e aristocracia, tutelada pelos clérigos.

A sociedade pós-moderna ou contemporânea é pragmática , isto é, funcional de valores práticos, dentro das nossas principais instituições civil. A Maçonaria a despeito de seus princípios filosóficos; tem que alavancar um trabalho cultural direcionado para a construção de uma sociedade mais justa, propiciando melhor qualidade de vida aos seus cidadãos e pleno direito de cidadania, só assim ela será reconhecida como uma instituição, com influência progressista e humanitária, dentro de nossa sociedade.



Daniel Ruiz . Sociólogo

Loja de Pesquisas Maçônica .Brasil.

Londrina . PR


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O Iluminismo.

O Iluminismo.
"Nossa divisa é: sem quartel aos supersticiosos, aos fanáticos, aos ignorantes, aos loucos, aos perversos e aos tiranos...


será que nos chamamos de filósofos para nada?" - (Carta de Diderot a Voltaire, em 29 de setembro de 1762.)
A família iluminista



Acreditavam-se todos eles pertencer a uma só família, cujos membros espalhavam-se por Edimburgo, Nápoles, Filadélfia, Berlim, Milão ou Königsberg e, é claro, Paris. Eram os philosophes iluministas, escritores e livres-pensantes que organizavam-se ao redor de alguns dos mestres-pensadores da época, tais como Adam Smith, David Hume, Edward Gibbon, Diderot, o barão d'Holbach, Helvetius, o excêntrico filósofo Emanuel Kant e, evidentemente, em torno do "mestre" Jean-Jacques Rousseau e do seu rival , o "rei" Voltaire. Consideravam seus mentores espirituais os grandes pensadores do século anterior, tais como René Descartes, Isaac Newton e John Locke. Como em qualquer família, ocorriam desavenças entre eles. mas qualquer insinuação de prisão ou censura que pairasse sobre um dos seus integrantes, era o sinal para que os demais se mobilizassem na defesa do perseguido. Tornou-se célebre a afirmação de Voltaire que disse a um contendor seu: "Senhor, sou contra tudo o que vossa senhoria disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-la".

A secularização da sociedade

Empenhava-se, essa estranha família de escritores das mais diversas nacionalidades, na propagação de um vasta e ambicioso programa comum: a secularização total da sociedade! Secularismo, humanismo, cosmopolitismo e liberdade em todo os sentidos, eram as bandeiras deles. O direito à liberdade de palavra, de expressão, de imprensa, também se estendia para eles à liberdade de comércio, à liberdade do empreendimento econômico, fora das intromissões da censura da Igreja e do Estado absolutista-mercantilista. Livres enfim, para que cada um, de acordos com os talentos nascidos ou adquiridos, encontrasse o seu próprio caminho de realização. Desprovidos em sua maioria de cátedras acadêmicas, tendo o púlpito e os padres como inimigos, quais foram os instrumentos que aquela confraria de homens de letras se serviu para difundir seus ideais e princípios? Porque, de certa forma, os Iluministas tiveram que buscar e ao mesmo tempo formar o seu próprio público.

Para chegar até ele, para atingir o novo público cultivado (tanto de gente da nobreza como das classes burguesas) que gradativamente estava se formando na sociedade européia do século XVIII, recorreram intensamente à publicação e difusão de livros. Quando, devido à censura ou a uma queima judicial, recorriam à impressões clandestinas (feitas na Holanda ), depois as introduziam por contrabando em qualquer canto da Europa. Revelaram-se verdadeiros mestres em escrever panfletos, publicações que fizeram largo uso devido ao lado prático que eles tinham como veículo instantâneo de difusão de idéias. Daí boa parte da literatura deles, fosse em verso ou em prosa, estar carregada pelo estilo polêmico e apaixonado.



A Enciclopédia

O mais poderoso e duradouro de todos os instrumentos para a divulgação das Luzes - obra magna da propaganda iluminista - foi a edição da Enciclopédia, ou Dictionaire raisonné des sciences, des arts, et des métiers, dirigida por Jean Le Rond d'Alembert (entre 1751-54) e, em seguida, por Denis Diderot. Grandiosa publicação que se seguiu por vinte anos, até que, em 1772, o seu 17º volume encerrou a obra inteira. Fazendo com que, segundo Daniel Mornet, o século XVIII fosse "com toda a certeza....um século enciclopédico". Acertada sua impressão por meio de subscrições, a Enciclopédia ultrapassou largamente os seus 8.011 assinantes originais, virando leitura obrigatória entre os homens cultos do século. Foi uma obra consultada por uma quantidade inumerável de leitores por toda Europa e América incluída.

Tratou-se de uma estupenda síntese do conhecimento científico, com grande ênfase nas artes mecânicas e na sabedoria prática das coisas da vida, servindo de modelo para todas as demais que a seguiram posteriormente. A predominância e gosto por temas seculares e o alto nível dos seus colaboradores - Diderot selecionou o supra sumo da elite intelectual (disse-lhes "É preciso examinar tudo, remexer tudo sem exceção e sem reserva") - fez da Enciclopédia o acontecimento editorial e intelectual do século. Entre os grandes nome arrebanhados por ele estavam Montesquieu (Leis), Lamarck (botânica), Helvetius (matemática), Rousseau (música), Buffon, Necker, Turgot, Mongez, além de artigos do barão d'Holbach, um ateu militante, e Voltaire(encarregado dos verbetes sobre Elegância, História, Espirito e Imaginação), num total de 139 colaboradores identificados. Talvez ela tivesse para o mundo burguês e industrial que então despontava, o mesmo significado que a Suma Teológica de São Tomás de Aquino teve para a Europa medieval.




A intensa correspondência

O homem culto do século XVIII é acima de tudo um grande escritor de cartas. Havia uma verdadeira arte da epistolografia, atribuindo-se somente a Voltaire mais de 50 mil cartas! Como sabiam que mais tarde haveria interesse em publicá-las, cuidavam do estilo e da apresentação delas, como se fossem páginas ou capítulos de livros futuros.

Por gostarem de trocar informações e colocar os outros integrantes da irmandade - la petit troupe - a par do que estavam fazendo ou pensando, elas, as cartas, converteram-se num veículo confiável, rápido, e, fundamentalmente, ao abrigo da censura. Tanto é que os americanos fizeram largo uso delas quando espalharam pelas Treze Colônias os Comitês de Correspondência, formados por ativistas da independência e simpatizantes da causa iluminista, entre eles, destacando-se acima de todos, Benjamim Franklin. Logo, pode-se afirmar que as cartas distribuídas pelos Comitês de Correspondência foram as sementes da Revolução Americana de 1776

Aliás, foi por meio de uma das suas cartas, escrita a Hélvetius em 1763, que Voltaire canta a vitória do partido das luzes sobre os partidários da superstição e do obscurantismo. Dizia ela: "Essa razão que tanto perseguimos avança todos os dias [..] Os jovens se formam, e aqueles que são destinados aos lugares mais elevados desfazem-se dos infames preconceitos que aviltam uma nação. Sempre haverá um grande número de tolos, e uma boa multidão de patifes. Mas os pensadores, mesmo em número pequeno, serão respeitados [..] Esteja certo que tão logo as pessoas de bem se unam, nada mais poderá detê-las. É do interesse do rei, e do Estado, que os filósofos governem a sociedade... Chegou o tempo em que homens como você devem triunfar [...] Afinal, nosso partido já vence o deles em matéria de boa educação." - (Carta a Helvitus, em 15.9.1763)


A imprensa e o panfleto

Apoiaram-se também os iluministas na imprensa. Editou-se muito no século XVIII. A tal ponto que o filósofo Hegel disse que a leitura diária do jornal "era a oração do homem moderno". Somente na América do Norte daquele século, estima-se me mais de dois mil títulos de jornais tenham vindo à luz. Mas o panfleto foi o veículo soberano da comunicação no Século das Luzes. Infelizmente perdeu-se a maior parte deles, mas Voltaire esgrimia com eles utilizando-os em suas célebres campanhas (pela introdução do teatro em Genebra ou em defesa da família Calais e no affair Sirven). Eram de baixo custo, fáceis de serem transportados e escondidos, e geralmente eram escritos em linguagem sintética e objetiva, que depois veio a ser a escrita comum de quase toda a imprensa moderna. Era também uma publicação democrática, pois atingia tanto o salão do aristocrata, como a taverna operária e o café do literato.

Salões & clubes

Ainda entre a elite pensante - formada difusamente por nobres liberais, padres dissidentes e livres-pensadores da mais variada procedência - foi importantíssimo os encontros realizados nos salões. Geralmente organizados ao redor de uma grande dama ,eles foram o centro da vida social e intelectual da sociedade no Ancien Régime. Os mais afamados salões foram os da M.me Deshoulières, da M.me. Sablière, da condessa la Suze e o da lendária Ninon de Lanclos, verdadeiros oásis de tolerância, espirito irreverente, acolhendo em seu meio ateus, deístas e libertinos. O constante intercâmbio entre seus freqüentadores, as leituras proibidas que realizavam em público, a troca de livros e idéias, o espirito livre e solto, fez dos salões um celebrado agente do Iluminismo. O salão de M.me. d'Epinay foi um dos que se tornou cenário para o lançamento de originais literários (e inclusive musicais) que eram submetidos previamente aos "árbitros das artes", que atuavam como um espécie de "porta-vozes do público", perante quem os autores ou compositores tinham por primeiro que legitimar-se.

Os clubes masculinos e as associações profissionais igualmente tornaram-se pontos de apoio importantes para propiciar o debate sobre as tendências do momento, formando, junto com a imprensa, o que se chamou de "esfera pública literária."

As lojas maçônicas

Acima de tudo, em importância para a história da difusão das idéias, pairaram as lojas maçônicas (a importância delas era tamanha que, já no século XVII, o filósofo Leibniz considerava a sociedade civil como um simples prolongamento delas) tornaram-se focos de ativismo político, de troca de panfletos e de elaboração de estratégias de combate na luta contra a superstição e o obscurantismo. Mirabeau, quando militava como um "irmão", redigiu um programa para a sua loja cuja finalidade "era a introdução da razão, da sensatez, da sã filosofia na educação de todas as ordens de homens."(Memoire, 1776). Schiller escreveu um belo poema (Freude) para ser cantado numa loja maçônica freqüentada por um amigo seu, e Mozart compôs a Zauberflöte,1791, a Flauta Mágica para atender uma encomenda de uma loja austríaca.

Tal como numa mascarada, a luz da razão era obrigada a esconder-se para proteger-se, desvelando-se aos poucos. Por primeiro apenas aos confiáveis, daí a importância dos salões, dos clubes e das lojas.

O tabernáculo de Frederico e
o despotismo ilustrado

Algumas cortes européias serviram por igual de abrigo aos iluministas. Especialmente conhecido foi o Tabernáculo que Frederico o Grande, da Prússia, montou na sua propriedade, em Saint-Soucy, convidando para lá uma elite de livres-pensadores. Lá estiveram o naturalista Maupertuis, La Mettrie, o perseguido autor do "Homem máquina" e o mais famosos de todos, Voltaire. Catarina II da Rússia tentou o mesmo com Diderot e José II da Áustria celebrizou-se em proteger os pensadores do furor da Igreja Católica. Os reis apoiaram os livres-pensadores na medida em que podiam servir-se deles para reformar os estados antes que uma possível revolução explodisse. E também faziam questão de protegê-los para fins publicitários, para terem uma boa imagem junto às classes culturas e refinadas da Europa de então. Por isso se entende que em matéria de política a maioria dos iluministas seguiu a Doutrina do Dr. Johnson, favorável ao despotismo ilustrado. Porém, historicamente, a agitação e a insubordinação aos costumes e a crítica à religião que abertamente a maioria deles praticou, fez com que, ironicamente, os iluministas fossem tidos como os arautos da democracia moderna.


Os cafés

Mais democráticos do que os salões (que reuniam a nobreza e a elite pensante), os clubes (que congregavam os profissionais) e as lojas (dos maçons), foram também importantíssimos os cafés. Espalhados pelas cidades e pelas principais capitais da Europa e mesmo da Nova Inglaterra, esses estabelecimentos eram o salões das classes médias, dos jornalistas e dos escritores iniciantes, abrigando a efervescência e a inquietação provocada pelas novas idéias. Em Paris, um dos mais famosos foi o La Coupolle, o favorito de Voltaire, e em Milão, atraiam as presença de nobres como Cesare Beccaria e dos irmãos Pietro e Alessandro Verri, que inclusive lançaram um periódico com o título de "Il Caffè", para defender a tese da abolição da tortura. No jogo dos símbolos importa observar que a Era da Taberna, associada ao álcool e à embriaguez, que dominou inteiramente o século anterior, o XVII, deu lugar no século XVIII à Era dos Cafés, estimuladora do espirito e da palavra ágil, contestadora.

O café encerrava o que podemos chamar de o circuito da opinião pública do Século das Luzes composto, como viu-se, pelo salão, pelo clube e pela loja maçônica. O conservadorismo das universidades e o reacionarismo das igrejas, graças à intensa censura e à repressão constante, procuraram impedir que as novas idéias atingissem os estudantes e os paroquianos, mas com isso permitiram, sem assim o desejar, que um outro publico se formasse a revelia dos acadêmicos e dos sacerdotes.

A opinião pública

Numa conhecida tese (Mudança estrutural da esfera pública) defendida em 1961, o filósofo Jürgen Habermas mostrou que o conceito de "opinião pública", tal como hoje se conhece, nasceu no século XVIII. Comprova-se isso, segundo ele, pelo fato de que a palavra publicité (öffentlich em alemão) começou a ser empregada, contraposta à autoridade, a partir daquela época (resultante da dilatação da sociedade civil que, com a proliferação dos salões, dos clubes, dos cafés, das livrarias e das lojas maçônicas, criou um espaço de emancipação para os burgueses), abria seu caminho devido à expansão comercial e industrial, e à crescente amplitude da mercantilização das coisas. O surgimento dela, da "opinião pública", deveu-se substancialmente ao crescimento da vida urbana, ao aumento do número dos leitores, e ao impacto causado pela revolução da sociedade civil inglesa do século XVII. Locke, o grande filósofo patriarca do Iluminismo, quando galgou para a direção do College Christ em Oxford, colocou a Law of Opinion, a Lei da Opinião, como que equivalente à lei divina. Dessa forma, além da opinião da corte e da opinião do clero, predominantes e absolutas nos tempos feudais, forjou-se a opinião pública como representante ainda que difusa dos interesses gerais do Terceiro Estado e, por vezes, da sociedade como um todo. Inegavelmente a "opinião pública" mostrou-se cada vez mais permeável às idéias Iluministas, por todas as razões expostas acima. Quanto ao povo em geral, grande parte ainda analfabeto, era atingido, e por vezes mobilizado, pela propaganda das luzes graças aos affriches (panfletos) que eram distribuídos ou lidos em voz alta nos lugares públicos.

Bibliografia

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Darton, Robert - O iluminismo como negócio: história da publicação da enciclopédia, 1775-1800, Cia das Letras, SãoPaulo,1996

Gay, Peter - The Enlightenment , The Norton Library , N.York, 1966, 2 vols.

Habermas, Jürgen - Mudança estrutural da esfera pública, Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1984.

Hampson, Norman - O Iluminismo , Editora Ulisseia, Lisboa, 1973.

Lapape, Pierre - Voltaire: nascimento dos intelectuais no Século das Luzes, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1995

Mornet, Daniel - Los origines intelectuales de la Revolución francesa, 1715-1787, Paidos, Buenos Aires, 1969.

Mousnier, R. e Labrousse, E. - O Século XVIII in Historia Geral das Civilizações, Difel, São Paulo, 1968, 3ª ed. 2 vols.

Rudé, George - Europa en el siglo XVIII, Alianza Universitária, Madri, 1978.

Yolte, John W. (editor) - The blackwell companion to the Enlightenment, Blacwell, Londres, 1996

Gravuras: John Yolton - The blackwell "Enlightenment", Londres, 1996


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Rito Escocês Retificado

Rito Escocês Retificado ou de Willermoz
O Rito Escocês Retificado é também conhecido como Rito de Willermoz, em alusão ao seu criador, Jean Baptiste de Willermoz (Lyon,1730- Lyon,1824), que foi iniciado na maçonaria aos 20 anos de idade em uma loja que funcionava sob os auspícios da Estrita Observância Templária.

A intenção de ter um Rito Escocês Retificado seria trazer de volta antigas influências dos Cavaleiros Templários, como um rito de cavalaria, também de um antigo rito chamado Rito de Heredom. Segundo Willermoz o Rito havia se descaracterizado com o tempo, perdendo assim sua identidade original como um Rito de Cavaleiros.

Foi relançado nas suas bases atuais, graças ao trabalho incansável de Jean-Baptiste Willermoz, que mantinha relações com maçons de toda a Europa, principalmente com os Irmãos mais qualificados de todos os ritos.

Ele passou a vida inteira reunindo todo o tipo imaginável de documentos, rituais e instruções, buscando alcançar a essência da iniciação maçônica.

O sistema maçônico que o interessava de imediato, foi o da Estrita Observância Templária, em razão das origens templários que esse sistema atribuía à Maçonaria e por sua organização em forma de ordem de cavalaria.

ORIGENS MAÇÔNICAS DE WILLERMOZ
Jean-Baptiste Willermoz era muito estimado pelos seus discípulos, principalmente pelas maneiras cordiais, amigáveis e sedutoras. Ele tinha como profissão profana a fabricação e comércio de artigos de seda, sendo ainda um grande proprietário de imóveis na cidade de Lyon, no centro da França.

Desde jovem, conseguiu reunir em torno de si um grupo de homens devotados à causa espiritual, tais como: Louis Claude de Saint-Martin, Joseph de Maistre, Martinez de Pasqually e o famoso Conde de Saint-Germain, alguns companheiros de estudos, outros seus próprios mestres.

Claude Catherin Willermoz foi seu pai, que por tradição também se dedicava à produção de tecidos; sua irmã Claudine foi iniciada nas ordens externas e o seu irmão mais novo, o médico Pierre-Jacques Willermoz foi iniciado em todas as ordens e jogou um papel importante na afirmação de Lyon como centro maçônico importante.

Jean-Baptiste Willermoz iniciou-se na Maçonaria em 1750. Com 20 anos de idade e já em 1752 era Venerável Mestre da sua loja e um ano mais tarde fundou a loja ";A Perfeita Amizade", que desempenhou um papel muito importante mais tarde. Em 1756 obteve a filiação da sua loja na Grande Loja da França. Em 1760, com 30 anos de idade, fundou uma segunda loja: "Os Verdadeiros Amigos"; juntamente com o Venerável da sua primeira loja: "A Amizade";, o irmão Jacques Irenée Grandon.

Nesse mesmo ano, as três lojas AMIZADE, A PERFEITA AMIZADE, e os VERDADEIROS AMIGOS, sob a coordenação de Willermoz, fundam a GRANDE LOJA DOS MESTRES REGULARES DE LYON, que recebeu Grandon como o seu primeiro presidente. Esses maçons tinham como objetivo a volta às suas origens primitivas.

Willermoz torna-se Grão Mestre em 1761, reelegendo-se em 1762, mas desinteressou-se em seguida, devido ao aumento das tarefas administrativas. Além disso, ele estava desgostoso com a banalidade dos trabalhos maçônicos o que o induziu a fundar o Capítulo dos ";CAVALEIROS DA ÁGUIA NEGRA", onde recrutava os melhores elementos de todas as lojas da cidade.

Willermoz ensinava no seu Capítulo que, para encontrar a pedra cúbica, que contém em si todos os dons, virtudes ou faculdades, era necessário encontrar o princípio da vida que os Adeptos chamam Alkaeter. Esse espírito tem a faculdade de purificar o ser anímico do homem, prolongando sua vida.

Ele também tem a virtude de transformar os vis metais em ouro. Esse espírito encontra-se nos três reinos da natureza e cabe ao homem encontrar a maneira de manipulá-lo. Eles ensinavam que a pedra bruta representava a matéria disforme que devemos preparar; a pedra cúbica com ponta piramidal representava a matéria desenvolvida pela tríplice ação do Sal, do Enxofre e do Mercúrio.

O portador do terceiro grau possuía duas jóias, uma era o emblema dos três reinos da natureza que entra no trabalho de preparação da Grande Obra, a outra era o Pantáculo de Salomão, de sorte que o iniciado deveria portar em si toda a ciência cabalística. Entretanto, Willermoz logo desinteressou-se do Capítulo da Águia Negra, pelas seguintes razões: primeiro porque a base de simbolismo já era do seu pleno conhecimento e havia conseguido formar Mestres capazes de continuar esse trabalho de instruir o s maçons do capítulo; segundo porque encontrou Martinez de Pasqually em 1767, quando tinha 37 anos de idade. Martinez, que como se sabe, foi o fundador da Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Cohens do Universo, sistema operativo, cujo ensinamento marcou profundamente o espírito de Willermoz.

A DOUTRINA DE MARTINEZ E O GRANDE TEMPLO DE LYON
Os maçons de Lyon, embora perseverantes no seu trabalho, não possuíam, uma doutrina sintética, que lhes assegurasse o objetivo dos seus trabalhos. A doutrina exposta por Martinez encaixou como uma luva nas mãos laboriosas dos maçons ocultistas de Lyon, cujo chefe era Jean-Baptiste Willermoz.

Tal doutrina comportava a revelação de verdades primordiais, comunicadas outrora a alguns seres privilegiados, e em sua síntese, ensinava a maneira de transpor a barreira que separa o Homem da Divindade.

Martinez trazia a mensagem de uma tradição oculta, conservada alegoricamente nas Escrituras Sagradas, sob o véu dos símbolos, transmitida através dos tempos pelas Sociedades Secretas. A Maçonaria tinha perdido a chave dessa tradição, que foi reencontrada por Martinez e por ele retransmitida nos seus rituais.

A sua doutrina explicava que a história da humanidade se resumia nas conseqüências do pecado original e na subdivisão do Homem Primitivo. A Divindade emanou Adão para que fosse o guardião da prisão onde tinha colocado os anjos rebeldes. Adão, revestido de uma forma "gloriosa"; comandava toda a criação. Mas, seduzido pelos Espíritos perversos, Adão quis ter a sua própria posteridade "espiritual";.

Entretanto, a criação de Adão não resultou senão numa forma material (Eva), que constituiu sua própria prisão futura. Essa condição o privou da comunicação com a Divindade e o expôs aos ataques dos espíritos perversos, dos quais ele era anteriormente o Mestre.

A posteridade de Seth poderá obter sua reconciliação e entrar em contacto directo com a Divindade, após ter percorrido todas as esferas superiores do mundo celeste.

Willermoz foi iniciado por Martinez em Versailles, perto de Paris, no Equinócio de Março de 1767, quando este instalou o seu Tribunal Soberano de Paris. Willermoz tinha sido apresentado por Bacon de la Chevalerie e o Mestre logo reconheceu em Willermoz um futuro adepto, um continuador da sua doutrina, motivo pelo qual não pode conter as lágrimas, sobretudo, porque via nessa iniciação a prova da sua reconciliação com a Divindade. Nesse mesmo ano, Willermoz foi recebido como membro não residente do Tribunal Soberano e a sua correspondência com o Mestre durou cinco anos.

Entretanto, durante esse período não obteve nenhuma luz, o que quase induziu Willermoz a abandonar a Ordem, apesar de Martinez lhe dizer que o desenvolvimento das qualidades espirituais, não vinha de um dia para o outro, e que somente o tempo e a perseverança na iniciação lhe poderia oferecer os resultados esperados.

Divindade, nada lhe será dado. Somente a graça da reconciliação do Pai dará a potência e o poder ao filho. A luz não é dada ao curioso, ao apressado; o Altíssimo a concede ao Homem submisso aos seus mandamentos e que pratica a sua justiça.

O Elus Cohen deveria seguir rigorosamente o ritual teúrgico e renunciar a tudo o que existe neste baixo mundo, e resignar-se a receber a graça no seu devido tempo. Esta virá, a partir de um trabalho constante, quando menos se espera. A preguiça, ou a impureza de um único membro durante os trabalhos, prejudica todo o trabalho coletivo dos grupos operativos.

Willermoz compreendeu rapidamente estas premissas e trabalhou de corpo e alma, não somente na sua regeneração pessoal como também com o objetivo de estender essa doutrina à Maçonaria, fazendo novos adeptos para a Ordem. Foi por essa razão que buscou a aliança com os maçons alemães da Estrita Observância Templária, isentos dos objetivos políticos e vingativos dos maçons Franceses.

OS DIRETÓRIOS ESCOCESES NA FRANÇA
O regime Escocês Rectificado originou-se da introdução na França, dos diretórios escoceses em 1773 e em 1774 pelo Barão de Weiler, que retificou certas lojas existentes em Estrasburgo segundo o rito da Estrita Observância Templária da Alemanha, cujo Grão-Mestre da loja de Saxe (região da Alemanha Oriental) era o Barão de Hund. Após uma longa troca de correspondências com Willermoz, Weiler instalou em 1774 em Lyon o primeiro Grande Capítulo da região e colocou Willermoz como chefe ou delegado regional.

Nesse mesmo ano, outros diretórios foram constituídos em Montpellier e em Bordeaux, cidade onde residia Martinez. O sistema era constituído por 9 graus, consistindo de três classes:

1a classe: Aprendiz, Companheiro e Mestre
2ª classe: Escocês vermelho e Cavalheiro da Águia Rosa Cruz
3a classe: (ordem interna): Escocês verde; Escudeiro noviço; Cavalheiro e Professos.

Os Professos eram considerados SUPERIORES INCÓGNITOS, pois não eram conhecidos dos membros da Ordem. O seu chefe, que mais tarde tornou-se conhecido, era o Duque Ferdinando de Brunswick, que possuía o título de Grande Superior da Ordem.

O CONVENTO DE GAULES (LYON, 1778)
O sucesso das lojas do Rito Escocês Rectificado foi total na França, principalmente porque elas eram oriundas das tradições templárias e sobretudo porque os seus chefes eram nobres autênticos, príncipes, duques, barões e as iniciações eram muito seletiva. Nessa mesma época, estava-se instalando o Grande Oriente da França, que fez questão de agrupar os Diretórios Escoceses sob sua égide e um tratado foi assinado nesse sentido. Esses diretórios não tinham uma direção central na França e uma união era preconizada por todos. Entretanto as desavenças em vez de diminuírem, aumentaram. O próprio Willermoz escreveu ao Príncipe Charles de Hesse, queixando-se que Weiler não conhecia nada sobre "as coisas essenciais";.

O grande superior Ferdinando de Brunswick procurava desesperadamente a doutrina e a coesão que faltava. Os Lyoneses detinham há 11 anos o sistema de Martinez de Pasqually, doutrina que poderia interessar aos Diretórios. Willermoz e Louis Claude de Saint-Martin de maneira muito oculta, prepararam as coisas com cuidado.

Eles conseguiram iniciar Jean de Turkeim e Rodolphe de Salznan na Ordem dos "Elus Cohens" homens de grande importância no seio da Estrita Observância Templária do Diretório de Estrasburgo. E esses dois homens desempenharam um papel muito importante quando os ocultistas de Lyon apresentaram a sua proposta dos conventos que iriam realizar no futuro. Com os espíritos preparados, segundo a doutrina de Martinez, os Lyoneses convocaram o CONVENTO DE GAULES em 1778, em Lyon. As grandes figuras da Estrita Observância Templária estiveram presentes em Lyon, mas preocuparam-se essencialmente com o futuro administrativo da Maçonaria. Willermoz demonstrou, desde logo, que a preocupação deveria nortear-se sobre o verdadeiro objetivo da Maçonaria, suas diretivas de estudos que deveriam orientar-se na busca da Divindade.

No transcurso dos trabalhos, decidiram distinguir as lojas simbólicas das lojas da Ordem Interior e substituir por Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa a palavra Templário. Os rituais apresentados pelos Lyoneses foram aprovados, assim como as instruções secretas de Willermoz, tiradas do "Tratado da Reintegração dos Seres Criados"de Martinez de Pasqually. O objetivo primeiro da Maçonaria seria comunicado somente aos iniciados nos dois últimos graus, os de "Professo" e do "Grande Professo". A denominação de Superior Incógnito, que tinha sido condenada anteriormente, foi ressuscitada no convento, e era designada àqueles portadores de alta doutrina da Ordem. Entretanto, o verdadeiro objetivo da Maçonaria, permanecia desconhecido por todos aqueles que não tinham entrado realmente dentro da iniciação, embora portassem títulos de nobreza e mesmo os altos graus do "Rito Escocês Rectificado". Além disso, havia várias tendências maçônicas e de outras sociedades espiritualistas que colocavam uma grande confusão nas mentes dos vários grupos maçônicos, oriundos de regiões diferentes. Havia assim, a necessidade da realização de um outro convento.

CONVENTO DE WILLELMSBAD DE 1782
Foi assim que quatro a nos mais tarde, em 1782, se realizou outro em Willelmsbad, com um número maior de participantes em relação àquele efetivado na cidade de Lyon em 1778. As reuniões duraram 45 dias e lá estavam presentes Willermoz e Saint-Martin, bem como, representantes dos Filaletes, dos Iluminados da Baviera, etc, todos ligados à Estrita Observância Templária.

A diversidade de idéias e de opiniões, impediu que se chegasse a um denominador comum e que se definisse com precisão a doutrina da Ordem. Desta maneira, acabou-se mantendo as mesmas resoluções do Convento de Lyon, inclusive a doutrina de Martinez. Abandonou-se a pretensão da descendência direta dos Templários, evocando-se, entretanto uma filiação espiritual, oriunda do Mundo Invisível.

Os rituais foram modificados substancialmente, diferenciando o sistema da Maçonaria Tradicional.

Esta é a razão pela qual o sistema foi denominado de RITO ESCOCÊS RETIFICADO


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O RER

O Regime Escocês Retificado é um sistema maçônico e cavalheiresco cristão que foi constituído na França no terceiro quarto do século XVIII.
Depois de um aparente eclipse durante o século XIX, conhece atualmente, e sobretudo depois dos anos 60, uma renovada vitalidade.
O Grande Priorado de Gálias foi criado na Espanha em 1986, onde duas Comendadorias foram a raiz da criação do Grande Priorado da Espanha de K.T. instalado pelo Grande Priorado da Inglaterra em 1994, e foi elevado à Priorado, ficando independentes do Grande Priorado da Espanha em quanto ao Rito e a transmissão própria do Regime Retificado.



Nascido na França, o Rito Escocês Retificado foi, e continua sendo, praticado em sua maior pureza e integridade originais sob a égide do Grande Priorado de Gálias, jurisdição independente e soberana que é conservadora e garante do Regime. O Grande Priorado de Gálias conserva os rituais em toda a sua pureza e integralidade iniciais, de igual modo que a Constituição Original, o Código maçônico das lojas reunidas e retificadas da França e o Código geral dos regulamentos da Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (C.B.C.S.) de 1778. O Grande Priorado de Gálias é o garante da prática autêntica e regular do Rito.

É preciso assinalar que a noção do Regime tem a ver com a organização estrutural do sistema e a do Rito com a prática ritual propriamente dita. As duas expressões: Regime Escocês Retificado e Rito Escocês Retificado não são pois intercambiáveis nem significam o mesmo, ainda que o uso diário as confunda facilmente, possivelmente por causa de suas siglas comuns: R.E.R.

O Grande Priorado de Gálias não é, no sentido preciso do termo, um Grande Priorado Templário. É um Grande Priorado do Rito Escocês Retificado. Entretanto, conforme a vontade formal de seus fundadores, conserva uma filiação espiritual com antiga Ordem do Templo .

O Regime Escocês Retificado tem por objetivo manter e fortificar, não só a Ordem Interior mas sim também as Lojas maçônicas, os princípios que são sua base e fundamento:

A fidelidade a religião cristã, fundamentada na fé na Santíssima Trindade;

A total adesão aos princípios e tradições, tanto maçônicos como cavalheirescas do Regime, que se traduzem num aprofundamento na fé cristã e no estudo da doutrina esotérica cristã, ensinada na Ordem;

O aperfeiçoamento do indivíduo pela prática das virtudes cristãs com o fim de aprender a vencer as paixões, corrigir os defeitos e progredir na via da realização espiritual;

A total dedicação a pátria e ao serviço ao próximo;

A prática constante de uma beneficência ativa e esclarecida a todos os homens, sem importar qual seja a sua raça, nacionalidade, situação, religião e suas opiniões políticas ou filosóficas.

Em definitivo, O Regime Escocês Retificado propõe a realização espiritual como finalidade a cada um de seus membros, facilitando-lhe os meios para conseguir-lo, e em converter-se em homens verdadeiros, templos de Deus.



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Cor Azul ou Vermelha?

O Rito Escocês Antigo e Aceito é na Cor Azul ou Vermelha?
Charles Evaldo Boller

Na Grande loja do Paraná a cor dos templos das lojas simbólicas e dos aventais para o rito escocês antigo e aceito é a azul, a mesma herdada da modificação estabelecida em 1927 por Mário Behring. Se naquela ocasião aquele cidadão tentava ou não efetuar mudanças para chamar atenção da Grande loja da Inglaterra, assemelhando a cor ao estabelecido para o rito de York, isto já não interessa mais; voltar não é importante.
A cor ser azul ou vermelha não cabe mais recurso, porque no Brasil, ao menos enquanto não surgir um outro Mário Behring, sua utilização está sacramentada pelo uso e tradição. Uma uniformização da cor não fará do rito escocês antigo e aceito e da Maçonaria uma instituição melhor. O que de fato interessa é o maçom que veste a insígnia ou que se utiliza do ambiente. É do coração e da mente do maçom que deve emergir a luz em todo o espectro de cores visíveis e invisíveis.


Se realmente há interesse em mudar algo importante, então toda a atenção deve ser canalizada para mudar os seres humanos que adentram à ordem maçônica em busca de melhoria de sua condição humana.



Existem muitos ritos; porque não reduzir esta diversificação? Porque ela é necessária para que a Maçonaria seja o que ela é; uma instituição que abriga uma infinidade de linhas de pensamentos - colocar tudo dentro de um molde faria a ordem fenecer.

Existem diversas potências e obediências no Brasil; porque não reduzir tudo a uma única? Porque eliminaria a concorrência. A diversificação é necessária para que cada uma tente superar as outras, e para acolher as mais diversas linhas de pensamento filosófico e político. Em Maçonaria não se discute política, mas a sua ética e moral, associadas à filosofia influenciam pessoas a atuarem na sociedade em busca do poder para modificá-la; o exercício correto do poder é política, e isto se aprende na disciplina das oficinas e é o que teve, e tem a capacidade de mudar a sociedade. É do homem forjado nas oficinas da Maçonaria e que age conforme o que aprendeu, é dos obreiros que conspiram dentro dos templos contra toda opressão, desigualdade e guerra, a capacidade de erigir templos à Virtude e cavar masmorras ao vício.

O grande desafio daquele que pugna pela uniformização dos procedimentos maçônicos é sua dificuldade de ver a Maçonaria como um sistema vivo. As discussões de maioria dos estudiosos maçons não consideram as organizações humanas como sistemas vivos em constante mutação, ou não percebem que o ser humano detesta ser tratado como a engrenagem de uma máquina. Onde existem humanos não cabe uniformização, pois é na diversidade em complexidade crescente que se alicerça a sua evolução.

Razão, emoção e religião deveriam estar em equilíbrio para produzir o homem completo, mas vive-se sob enorme pressão. Nunca se trabalhou tanto e isto reflete na falta de tempo para relacionamentos, apesar da crescente prosperidade material. Os iniciados buscam na instituição maçônica é que lhes falta no mundo profano, a espiritualidade conectada ao seu sopro de vida, algo que o capitalismo selvagem, a globalização não possibilitam e são a causa das dificuldades que ora enfrentamos. É o sopro de vida que os faz sentirem-se parte de todo o conjunto de seres viventes que compartilham a biosfera. É nas oficinas da maçonaria que aflora a experiência espiritual que une mente e corpo. E a Maçonaria o faz sem o aparecimento de uma doutrina teológica maçônica. É impossível conceber Maçonaria sem atributos espirituais; não seria Maçonaria, seria ateísmo materialista. A espiritualidade Maçônica é resultado da universalização da espiritualidade quando ela exige a crença num Ser Supremo respeitando a religião de cada um. A Maçonaria é uma escola que promove conhecimentos sem denominar-se religião, sem declarar um Deus único e sem posicionar-se politicamente como instituição.

A discussão de cores de templos e adereços é vazia e sem razão porque contribui para quase nada, antes desvia a atenção do centro de seu principal objetivo: o ser humano. São apenas detalhes materialistas que em nada contribuem ao crescimento individual; é apenas vaidade, um esforço de alcançar o vento na corrida.

Biografias:
1. Mário Behring ou Mário Marinho de Carvalho Behring, engenheiro, jornalista e maçom brasileiro. Nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais em 27 de janeiro de 1876. Faleceu, em 14 de junho de 1933, com 57 anos de idade. Fundador das Grandes Lojas Estaduais Brasileiras.


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O RB de Maçons Antigos, Livres e Aceitos

O Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos
É muito comum quando tratamos do RITO BRASILEIRO, ouvir alguns Irmãos afirmarem ser o Rito mais patriota dos praticados no âmbito do Grande Oriente do Brasil, realmente o RITO BRASILEIRO é o que traduz, sem qualquer dúvida, o espírito do Povo, ou melhor, dos Maçons Brasileiros, porem devemos considerar que todos os Ritos inspiram e buscam inculcar nos seus seguidores o Amor a Pátria, o cumprimento inflexível do Dever e a responsabilidade social dos maçons para com a humanidade.

Todos os Ritos procuram, através de seus ensinamentos, levarem os maçons a uma reflexão sobre a trilogia que fundamenta a própria essência da Maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Existe uma maior lição de patriotismo que a representada neste triângulo, base ideal de qualquer sociedade e suas relações intrínsecas.

O que faz então com que os Maçons associe o Patriotismo ao RITO BRASILEIRO? Vamos tentar entender o porquê, buscando uma síntese da história do RITO BRASILEIRO.

Um grande Maçom e brasileiro, o Soberano Grão-Mestre LAURO SODRÉ, sonhou com um Rito que fosse a expressão do espírito dos Maçons Brasileiros e unindo-se a outro grande Maçom e brasileiro, o Soberano Grão-Mestre NILO PEÇANHA, através do Decreto 500, em 1914, fundou o RITO BRASILEIRO. O Rito nasceu, portanto, da vontade de que fosse criado um Rito para os Maçons Brasileiros, não que os Ritos que vieram da Europa, como o Adonhiramita, o Francês Moderno, o Escocês Antigo e Aceito e o de York, fossem inadequados aos Maçons Brasileiros, mas era desejo daqueles pioneiros, a criação de um Rito que fosse o espelho da Alma do Maçom Brasileiro, um Rito que colocasse o Homem como centro da história e não como um mero protagonista.

Um Rito renovador que buscasse o desenvolvimento do Homem e o Progresso da Humanidade, o desenvolvimento nacional através do estudo e da busca de soluções para os principais problemas sociais que já incomodavam a Maçonaria daquela época. O RITO BRASILEIRO, não foi criado para substituir os demais Ritos praticados no âmbito da Maçonaria Brasileira, mas, tomando por base exatamente esses Ritos que serviram para criar o Espírito Maçônico Brasileiro, é uma opção a mais aos Maçons, aqueles que buscam encontrar na Maçonaria uma visão desenvolvimentista e progressista da sociedade brasileira e um estudo dos problemas que impedem esse progresso e suas possíveis soluções.

Mas o Rito adormeceu, e somente em 1968, através Decreto 2080, foi reimplantado sob a orientação firme e segura do Soberano Grão-Mestre ÁLVARO PALMEIRA, que segundo conta o Eminente Grão-Mestre JOSÉ COÊLHO DA SILVA, afirmou categoricamente: "Vou reimplantar de forma definitiva o Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos em 33 (trinta e três) graus, como expressão máxima da Maçonaria renovada".

ÁLVARO PALMEIRA, partiu então para um trabalho incansável, organizar e estruturar o Rito, inicialmente dedicou-se a base, aos três graus simbólicos, onde desenvolveu de forma ortodoxa a tradição e os postulados maçônicos universais, necessários à regularidade universal do Rito e ao aperfeiçoamento moral e cultural do Maçom. Contudo na formulação dos graus filosóficos procurou levar os Maçons ao Estudo, Análise e Busca de Soluções dos grandes Problemas enfrentados pela humanidade, em especial aqueles afetos aos interesses da Pátria, mostrando a necessidade da evolução social, como forma concreta do bem estar dos povos. Procurou também, seguindo os postulados maçônicos, afastar dos graus superiores a superstição em todas suas formas, inclusive a religiosa, buscando a Fé Racional, fundamentada na Teologia, como expressão da característica Teísta do Rito.

Para alcançar esses objetivos fundamentais, o RITO BRASILEIRO desenvolve nos graus filosóficos uma estrutura caracterizada pela busca do desenvolvimento social do Homem, através do estudo e solução dos problemas enfrentados pela humanidade, para tal estruturou estes graus de forma que nos graus 4 ao 18, procura analisar o Homem como Indivíduo, estudando os valores sociais, culturais e morais, a pratica individual do bem, tendo como objetivo final a Perfeição Humana; nos graus 19 a 30, busca a análise do Homem como Ser Social, em suas intrincadas relações psicossociais, através do estudo das atividades humanas relacionadas basicamente ao trabalho, a agricultura, a indústria, ao comércio, a economia e a justiça, fundamentando-se nas ciências, nas religiões e na filosofia, buscando alcançar os meios para justa distribuição dos bens sociais, criando bases sociais seguras que conduzam a Pátria a Paz, a Ordem e ao Bem Estar Social; nos 31 e 32, o Maçom é conduzido à análise do Homem como Cidadão, os Guardiões do Bem Público e do Civismo buscam, através do estudo da organização e estrutura das Nações, compreenderem os princípios basilares da Ordem Pública e Social, analisando as diversas expressões da Liberdade do Homem e dos Povos, dos Direitos e Deveres individuais e sociais, da prática da Política como forma de concretização dos objetivos nacionais e garantia da democracia, e do Civismo como expressão máxima do amor a Pátria; finalmente no grau 33 o Maçom é conduzido à imagem do Homem Ideal, síntese de toda esta trajetória, o Servidor da Ordem e da Pátria, não há maior Honra que Servir aos seus Semelhantes, a nossa Ordem e a Pátria.

Concluindo, esperamos haver conduzido os Ilustres Irmãos, neste curto passeio pelo RITO BRASILEIRO, a análise e possíveis conclusões do porque de muitos Irmãos associarem o RITO BRASILEIRO ao Patriotismo. Na verdade o objetivo fundamental do Rito é a formação do Maçom, do Homem, de seu tempo, preocupado com os problemas que afetam a Humanidade, em particular com a sociedade de que ele faz parte, que é capaz de buscar nos ensinamentos do passado, com as devidas atualizações, o conhecimento necessário para solução dos problemas atuais. Um Maçom preocupado com o bem estar público e social, disposto ao combate a miséria, a imoralidade na gestão do bem público e a opressão social em quaisquer de suas formas alienantes e perversas, e a lutar pelo desenvolvimento social através da educação, da melhor distribuição de renda e do direito inalienável ao trabalho como fonte asseguradora da manutenção do indivíduo e de sua família.

O objetivo do RITO BRASILEIRO é formar UM HOMEM, UM BRASILEIRO, UM MAÇOM JUSTO E PERFEITO.

Eduardo G. S.
Grau 33, Membro Extranumerário do Supremo Conclave do Brasil do
Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos e Grão-Mestre Adjunto do GOERJ.
Postado por BAG


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RITO BRASILEIRO

A primeira referência a um rito maçônico brasileiro é encontrada em documentos existentes no Arquivo Nacional,pertencentes a D. Pedro I, que fazem alusão a uma Constituição Maçônica do Especial Rito Brasileiro. Ele teria surgido em Pernambuco, em 1878, e o documento apresenta uma relação nominal dos maçons, com 838 assinaturas (apud Sebastião Dodel dos Santos em Maçonaria (Ritos, Graus e Palavras Conexas), Editora Aurora, Rio de Janeiro).


Segundo o Regulamento Especial para o Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos, de 1976, o rito permaneceu adormecido até o Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Irmão Lauro Sodré, baixar, em 23 de dezembro de 1914, o Decreto N.º 500, conferindo legalidade, legitimidade e regularidade ao rito.
Em 16 de outubro de 1919, o Decreto N.º 536 deu nova forma à Constituição do rito, sendo incorporada ao patrimônio do GOB, pelo Decreto N.º 554, de 13 de junho de 1917. Como os rituais e estatutos não foram impressos, ficou impossível trabalhar no rito. Mesmo com as dificuldades, em São Paulo, alguns Irmãos mandaram imprimir rituais básicos, numa tentativa de fazer-lo funcionar.

Depois de muitos anos com altos e baixos, A Soberana Assembléia aprovou outra Constituição, em 22 de julho de 1940, e mais dois Decretos – N.ºs 1.617 e 1.636, que deram melhores condições para o fortalecimento do rito. A implantação definitiva, porém, só ocorreu quando a Constituição foi adaptada às exigências internacionais, o que foi aprovado em Sessão Especial do Soberano Supremo Conclave (órgão máximo e Odficina-Chefe) sendo referendada pelo Irmão Manoel Rodrigues Alves Filho, Grande Secretário da Guarda dos Selos do G\O\B\. Em 10 de julho de 1968, foi assinado o Tratado de Aliança e Amizade entre o Supremo Conclave para o Rito Brasileiro e o Grande Oriente do Brasil, ratificado pela Soberana Assembléia Federal Legislativa, em 27 de julho de 1969.

Na primeira Convenção Nacional do Rito, em 1974, foram apresentadas inúmeras sugestões para modificação da Constituição, sendo, a nova Carta, aprovada em 21 de setembro de 1976.

O Rito Brasileiro apresenta os graus simbólicos tradicionais - Aprendiz, Companheiro e Mestre e os seguintes graus filosóficos, num total de 33:

4 - Mestre da Discrição
19 - Missionário da Agricultura e da Pecuária

5 - Mestre da Lealdade
20 - Missionário da Indústria e do Comércio

6 - Mestre da Franqueza
21 -
Missionário do Trabalho

7 -
Mestre da Verdade
22 -
Missionário da Economia

8 -
Mestre da Coragem
23 -
Missionário da Educação

9 -
Mestre da Justiça ou Retidão
24 -
Missionário da Organização Social

10 -
Mestre da Tolerância
25 -
Missionário da Justiça Social

11 -
Mestre da Prudência
26 -
Missionário da Paz

12 -
Mestre da Temperança
27 -
Missionário da Arte

13 -
Mestre da Probidade
28 -
Missionário da Ciência

14 -
Mestre da Perseverança
29 -
Missionário da Religião

15 -
Cavaleiro da Liberdade
30 -
Missionário da Filosofia

16 -
Cavaleiro Igualdade
31 -
Guardião do Bem Público

17 -
Cavaleiro Fraternidade
32 -
Guardião do Civismo

18 -
Cavaleiro Rosa-Cruz ou da Perfeição
33 -
Servidor da Ordem e da Pátria


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