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AS ORIGENS DO RITO FRANCÊS-MODERNO

AS ORIGENS DO RITO FRANCÊS-MODERNO

Precisar a origem do RITO FRANCÊS exige situá-lo no contexto dos demais.

DANIEL LIGOU sustenta a uniformidade dos ritos no início da Maçonaria francesa, ao afirmar que os seus usos gerais não apresentavam divergências notáveis, daí não se poder falar de ritos na Maçonaria da época.(1)

O RITO FRANCÊS é praticado ao lado do RITO EMULAÇÃO, ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, ESCOCÊS RETIFICADO, etc... Ele não aparece em França antes dos últimos anos do século XVIII.

Neste período e inpicio do século XIX em diante, o RITO FRANCÊS designava o sistema praticado pelo GRANDE ORIENTE DE FRANÇA, sistema que foi adotado em 1785 para os graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre e em 1786 para os chamados "Altos Graus".


De acordo com o que apuramos a denominação de RITO FRANCÊS não aparece nos documentos franceses de 1779 a 1785. A mais antiga referência, que chegou ao nosso conhecimento, se encontra em um processo de uma deliberação do GRANDE ORIENTE DE FRANÇA, datada de 25/12/1799, referente à constituição de uma Loja no Oriente de Nova Iorque sob o RITO FRANCÊS.

Parece, entretanto, que o nome não vingou nesta data, pois uma outra deliberação, datada de 24/03/1800, fala simplesmente de REGIME DO GRANDE ORIENTE.

No século XIX, o RITO FRANCÊS será igualmente MODERNO. No "Guide de Maçons Ecossais" ou "Cahier des trois grades symboliques du Rit(2) Ancien et Accepté" lemos: "A Maçonaria é conhecida em todo Universo, qualquer que seja sua divisão em dois ritos, que são distinguidos por 'rito antigo' e 'rito moderno'.(3) Contudo, eles repousam sobre as mesmas bases e sobre os mesmos princípios.

Tudo indica que o nome RITO FRANCÊS e depois MODERNO utilizado pelo GRANDE ORIENTE DE FRANÇA em oposição ao nome de RITO ESCOCÊS usado por vários ritos na França do século XVIII, depois com o acréscimo da palavra ANTIGO, adotada mais precisamente pelo RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO no início do século XIX.

Sabemos que a origem do nome ESCOCÊS encontra-se no grau de MESTRE ESCOCÊS, introduzido nos anos de 1740, colado pelos maçõns afiliados às Lojas que tinham adotado este grau. Estas Oficinas o acrescentavam aos graus simbólicos, que eram essencialmente os mesmos em todas as lojas.

Presentement, constatamos diferenças notáveis entre os diferentes ritos praticados pela Maçonaria Universal, mas inegavelmente o RITO FRANCÊS nos parece isento de qualquer influência "estrangeira" na sua formação. Ele simplesmente foi desenvolvido e enriquecido através dos tempos em função do seu dinamismo, favorecido pelo fato de em 1785 não existirem rituais oficiais.

Podemos afirmar, sem medo de errar, que ele representou a melhor prática ritualística das Lojas francesas do século XVIII, sem contudo pretend~e-lo superior aos outros ritos quanto ao conteúdo tradicional e iniciático.



O RITO ESCOCÊS RETIFICADO e o ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO muito devem a esta pra´tica francesa, mas não podemos negar que estes sofreram diversas influências estrangeiras a que o RITO FRANCÊS ficou imune.



O ESCOCÊS RETIFICADO sofreu influência diretra da ESTRITA OBSERVÂNCIA TEMPLÁRIA ALEMÃ e de MARTINEZ DE PASQUALLY na sua ritualística. Quanto ao ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, recebeu influência direta da Maçonaria inglesa dos 'ANTIGOS", vinda provavelmente por intermédio dos Estados Unidos da América.



Atualmente praticamos o RITO FRANCÊS distanciado dos rituais oficiais adotado pelo GRANDE ORIENTE DE FRANÇA, em 1785 e no REGULADOR DO MAÇOM em 1801.



Assim, colocar o problema das origens do RITO FRANCÊS, é colocar o problema das práticas que tinham cusro na Maçonaria francesa no seu início e, de outro modo, compreender o desenvolvimento dado ao rito acorde com as suas características e escopo todo particular.


Não podemos falar sobre as origens do RITO FRANCÊS sem abordar o nascimento da Maçonaria na França.



Um Sistema maçônico, muito interessante, que funcionou na segunda metade do século XVIII, e se chamava RITO ESCOCÊS FILOSÓFICO. Estava subordinado à LOJA MÃE ESCOCESA DA FRANÇA ou ORIENTE DE PARIS. Esta não era outra senão a LOJA DO CONTRATO SOCIAL, que tinha recebido em 1776 as patentes da LOJA MÃE ESCOCESA ao ORIENTE DE AVINGNON, tendo sido esta última autorizada pela LOJA MÃE ESCOCESA DE MARSEILLE, criada de maneira nebulosa em 1751, fundando sua legitimidade numa patente concedida por um "ESCOCÊS" autêntico chamado GEORGE DUVALNONS.(4) Esta LOJA MÃE, assim como a PERFEITA LOJA ESCOCESA AO ORIENTE DE BORDEAUX ao qual era subordinada e da qual descendia, parecem ter sido as primeiras a praticarem um rito "ESCOCÊS". A LOJA MÃE ESCOCESA DE MARSEILLE parece ter, igualmente, introduzido o nome, "escocesismo", conforme pode ser apurado em uma carta endereçada em 1774 pelo seu Venerável ao Venerável da Loja subordinada ao Oriente de Avignon.



Durante os anos que o GRANDE ORIENTE DE FRANÇA estabeleceu o seu próprio sistema(5), surgiu o RITO ESCOCÊS RETIFICADO, praticado até hoje na França. A estre rito parece ter sido inicialmente o nome de ESCOCÊS no sisema dos "Altos Graus".



Parece não haver dúvida de que a denominação de "RITO ESCOCÊS" tem sua origem nestes "Altos Graus". Mas se nos atermos aos graus simbólicos, os rituais "azuis" tal qual eram praticados nos ritos escoceses, veremos que divergiam muito pouco, originalmente , daqueles existentes em outras Lojas francesas e daquelas que o GRANDE ORIENTE DE FRANÇA estabeleceu em 1785. Isto é o que demonstra o exame atento dos rituais do RITO ESCOCÊS FILOSÓFICO, conservado em certos manuscritos de Avignon.



Igualmente podemos nos socorrer nas relações estreitas então existentes entre a Maçonaria francesae a Grande Loja Inglesa, período compreendido entre os anos de 1730 e 1740; pela viagem em 1734 de DESAGULIERS para assistir a u m congresso no hotel de Bussy em Paris; pela viagem, em 1735 do Grão-Mestre inglês, Lord Weimouth para instalar um compatriota, o Duque de Richmond na Loja que ele tinha estabelçecido no seu castelo de Aubigny-sur-Nères. nesta mesma época os franceses de Londres frequentavam a Loja Horn, a mesma que iniciou Montesquieu em 1730 e ao que tudo indica o Cavaleiro Ramsey, futuro Grande Orador da primeira GRANDE LOJA DA FRANÇA.



Em 1751 surge na Inglaterra a GRANDE LOJA DOS "ANTIGOS" que, imediatamente titulou os maçons de 1717 de "MODERNOS", com intenção depreciativa.



Ora, a Maçonaria francesa, ressalvado o desenvolvimento natural dos rituais, manteve-se fiel às práticas dos "MODERNOS" de Londres.



ESTA É A ORIGEM LONGÍNQUA DO NOME "RITO MODERNO" dado ao RITO FRANCÊS pelos maçons do RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, numa intenção muito semelhante àquela dos "ANTIGOS" ingleses.



Portanto, os pontos característicos praticados pela Maçonaria francesa do século XVIII coincidem com os da Grande Loja Inglesa dos "MODERNOS". O uso diferentes observados nos demais ritos citados neste trabalho, correspondem às práticas dos "ANTIGOS", que fizeram prevalecer sua vontade por acasião da união de 1813.



O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO deliberadamente adotou no início do século XIX o uso dos "ANTIGOS".


Pode-se pois, compreender as palavras do Irm.'. EDMOND MAZET, o conjunto da Maçonaria francesa do século XVIII a propósito da LOJA MÃE ESCOCESA DE MARSEILLE.


Como se sabe, a Maçonaria foi introduzida naquele país por volta de 1725 pelos ingleses, emigrados jacobinos(7). Devemos ter um certo cuidado ao afirmar que existia uma Maçonaria Jacobina e uma Hanoveriana que seria representada pela Lojas constituídas alguns anos mais tarde pela Grande Loja Inglesa. Efetivamente é bom ter em mente que a jovem Maçonaria francesa tinha um objetivo político(8), mas nada indica que ela dividiu-se em duas e, primeiramente, em dois ritos. Todas as publicações desde a de Herault em 1737 até a 'MAÇONARIA DESMASCARADA" de 1751, nos olustram sobre os rituais praticados naquela época, monstrando que eles eram bastante uniformes nos graus simbólicos.


Tanto quanto nos seja possivel julgar, estavam conforme àqueles praticados pela GRANDE LOJA INGLESA fundada em 1717. isto é o que se apreende na comparação feita entre as publicações francesas e inglesas, a saber: " A MAÇONARIA DISSECADA" de Prichard(9), muito mal traduzida para o francês em 1738 sob o título de "RECEPÇÃO MISTERIOSA"(tradução nouvelle em TRAVAUX DE VILLARD DE HONNECOURT Nº 8):


"Não se pode falar a propósito da LOJA MÃE DE MARSEILLE de um rito especififamente "escocês" nos graus simbólicos; deicando-se de lado o caso muito particular do RITO ESCOCÊS RETIFICADO, não existia na França uma Maçonaria tipicamente "escocesa" nestes graus, senão no começo do século XIX com o surgimento do RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO que se pode caracterizar sob este ponto de vista como uma antítese da tradição francesa do século XVIII, com a Maçonaria dos "Antigos". nada se encontra neste sentido no que concerne à LOJA MÃE ESCOCESA DE MARSEILLE que a situe no quadro da tradição francesa dos "MODERNOS".


NOTAS:


(1) D. Ligou. Dictionaire de la Franc-Maçonnerie, 2 vol. Ed. de Navarre.


(2) A palavra "Rit" era escrita desta forma: "rit", em 1830 conforme documento citado.


(3) Os estudos do Irm.'. Frèderick Tristan da Loja de pesquisas Villard de Honnecourt, assinalam que as diferenças de rito não são "somente uma questão de forma, mas também uma questão de estilo, cada uma destas formas rituais trazem uma tradição maçônica viva e particular que nos obriga a respeitá-la. Assim é que a palavra RITO se impõe para designar não somente um conjunto formal, mas também a corrente iniciática e simbólica que este conjunto maçônico propõem e recelam a seus membros".


(4) Ver artigo do Irm.'. EDMOND MAZET en TRAVAUX DE VILLAR DE HONNERCOURT nº I. pp 62-78;


(5) Ao redor de 1785;


(6) Ver a este respeito o que escreveu o Irm.'. EDMOND MAZET no artigo citado na nota 4.


(7) Ver P. Chevalier " Histoire de la Franc-Maçonnerie Franceise. Fayard Vol. I pp 4 e seguintes.


(8) A Grande Loja da França parede ter sido fundada pelo Duque de Wharton , antigo Grão-Mestre da Loja Inglesa, que veio para a França em 1728 após ter abraçado o partido dos Stuart. Esta Grande Loja ficou durante alguns anos nos mãos imigrantes jacobinos aos mesmo tempo que a grande Loja Inglesa procurava estabelecer sua autoridade sobre a maçonaria francesa criando ou constituindo suas próprias Lojas. Dentro desta perspectiva, a eleição do Duque de Antin ao Grão-Mestrado em 1738 marca o jogo de dois grupos ingleses, os jacobinos e os londrinos, tentando controlar a Maçonaria francesa. Daí para frente será dirigida por Grão-Mestres franceses.


(9) 1730


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Rito Escocês Retificado

Rito Escocês Retificado ou de Willermoz
O Rito Escocês Retificado é também conhecido como Rito de Willermoz, em alusão ao seu criador, Jean Baptiste de Willermoz (Lyon,1730- Lyon,1824), que foi iniciado na maçonaria aos 20 anos de idade em uma loja que funcionava sob os auspícios da Estrita Observância Templária.

A intenção de ter um Rito Escocês Retificado seria trazer de volta antigas influências dos Cavaleiros Templários, como um rito de cavalaria, também de um antigo rito chamado Rito de Heredom. Segundo Willermoz o Rito havia se descaracterizado com o tempo, perdendo assim sua identidade original como um Rito de Cavaleiros.

Foi relançado nas suas bases atuais, graças ao trabalho incansável de Jean-Baptiste Willermoz, que mantinha relações com maçons de toda a Europa, principalmente com os Irmãos mais qualificados de todos os ritos.

Ele passou a vida inteira reunindo todo o tipo imaginável de documentos, rituais e instruções, buscando alcançar a essência da iniciação maçônica.

O sistema maçônico que o interessava de imediato, foi o da Estrita Observância Templária, em razão das origens templários que esse sistema atribuía à Maçonaria e por sua organização em forma de ordem de cavalaria.

ORIGENS MAÇÔNICAS DE WILLERMOZ
Jean-Baptiste Willermoz era muito estimado pelos seus discípulos, principalmente pelas maneiras cordiais, amigáveis e sedutoras. Ele tinha como profissão profana a fabricação e comércio de artigos de seda, sendo ainda um grande proprietário de imóveis na cidade de Lyon, no centro da França.

Desde jovem, conseguiu reunir em torno de si um grupo de homens devotados à causa espiritual, tais como: Louis Claude de Saint-Martin, Joseph de Maistre, Martinez de Pasqually e o famoso Conde de Saint-Germain, alguns companheiros de estudos, outros seus próprios mestres.

Claude Catherin Willermoz foi seu pai, que por tradição também se dedicava à produção de tecidos; sua irmã Claudine foi iniciada nas ordens externas e o seu irmão mais novo, o médico Pierre-Jacques Willermoz foi iniciado em todas as ordens e jogou um papel importante na afirmação de Lyon como centro maçônico importante.

Jean-Baptiste Willermoz iniciou-se na Maçonaria em 1750. Com 20 anos de idade e já em 1752 era Venerável Mestre da sua loja e um ano mais tarde fundou a loja ";A Perfeita Amizade", que desempenhou um papel muito importante mais tarde. Em 1756 obteve a filiação da sua loja na Grande Loja da França. Em 1760, com 30 anos de idade, fundou uma segunda loja: "Os Verdadeiros Amigos"; juntamente com o Venerável da sua primeira loja: "A Amizade";, o irmão Jacques Irenée Grandon.

Nesse mesmo ano, as três lojas AMIZADE, A PERFEITA AMIZADE, e os VERDADEIROS AMIGOS, sob a coordenação de Willermoz, fundam a GRANDE LOJA DOS MESTRES REGULARES DE LYON, que recebeu Grandon como o seu primeiro presidente. Esses maçons tinham como objetivo a volta às suas origens primitivas.

Willermoz torna-se Grão Mestre em 1761, reelegendo-se em 1762, mas desinteressou-se em seguida, devido ao aumento das tarefas administrativas. Além disso, ele estava desgostoso com a banalidade dos trabalhos maçônicos o que o induziu a fundar o Capítulo dos ";CAVALEIROS DA ÁGUIA NEGRA", onde recrutava os melhores elementos de todas as lojas da cidade.

Willermoz ensinava no seu Capítulo que, para encontrar a pedra cúbica, que contém em si todos os dons, virtudes ou faculdades, era necessário encontrar o princípio da vida que os Adeptos chamam Alkaeter. Esse espírito tem a faculdade de purificar o ser anímico do homem, prolongando sua vida.

Ele também tem a virtude de transformar os vis metais em ouro. Esse espírito encontra-se nos três reinos da natureza e cabe ao homem encontrar a maneira de manipulá-lo. Eles ensinavam que a pedra bruta representava a matéria disforme que devemos preparar; a pedra cúbica com ponta piramidal representava a matéria desenvolvida pela tríplice ação do Sal, do Enxofre e do Mercúrio.

O portador do terceiro grau possuía duas jóias, uma era o emblema dos três reinos da natureza que entra no trabalho de preparação da Grande Obra, a outra era o Pantáculo de Salomão, de sorte que o iniciado deveria portar em si toda a ciência cabalística. Entretanto, Willermoz logo desinteressou-se do Capítulo da Águia Negra, pelas seguintes razões: primeiro porque a base de simbolismo já era do seu pleno conhecimento e havia conseguido formar Mestres capazes de continuar esse trabalho de instruir o s maçons do capítulo; segundo porque encontrou Martinez de Pasqually em 1767, quando tinha 37 anos de idade. Martinez, que como se sabe, foi o fundador da Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Cohens do Universo, sistema operativo, cujo ensinamento marcou profundamente o espírito de Willermoz.

A DOUTRINA DE MARTINEZ E O GRANDE TEMPLO DE LYON
Os maçons de Lyon, embora perseverantes no seu trabalho, não possuíam, uma doutrina sintética, que lhes assegurasse o objetivo dos seus trabalhos. A doutrina exposta por Martinez encaixou como uma luva nas mãos laboriosas dos maçons ocultistas de Lyon, cujo chefe era Jean-Baptiste Willermoz.

Tal doutrina comportava a revelação de verdades primordiais, comunicadas outrora a alguns seres privilegiados, e em sua síntese, ensinava a maneira de transpor a barreira que separa o Homem da Divindade.

Martinez trazia a mensagem de uma tradição oculta, conservada alegoricamente nas Escrituras Sagradas, sob o véu dos símbolos, transmitida através dos tempos pelas Sociedades Secretas. A Maçonaria tinha perdido a chave dessa tradição, que foi reencontrada por Martinez e por ele retransmitida nos seus rituais.

A sua doutrina explicava que a história da humanidade se resumia nas conseqüências do pecado original e na subdivisão do Homem Primitivo. A Divindade emanou Adão para que fosse o guardião da prisão onde tinha colocado os anjos rebeldes. Adão, revestido de uma forma "gloriosa"; comandava toda a criação. Mas, seduzido pelos Espíritos perversos, Adão quis ter a sua própria posteridade "espiritual";.

Entretanto, a criação de Adão não resultou senão numa forma material (Eva), que constituiu sua própria prisão futura. Essa condição o privou da comunicação com a Divindade e o expôs aos ataques dos espíritos perversos, dos quais ele era anteriormente o Mestre.

A posteridade de Seth poderá obter sua reconciliação e entrar em contacto directo com a Divindade, após ter percorrido todas as esferas superiores do mundo celeste.

Willermoz foi iniciado por Martinez em Versailles, perto de Paris, no Equinócio de Março de 1767, quando este instalou o seu Tribunal Soberano de Paris. Willermoz tinha sido apresentado por Bacon de la Chevalerie e o Mestre logo reconheceu em Willermoz um futuro adepto, um continuador da sua doutrina, motivo pelo qual não pode conter as lágrimas, sobretudo, porque via nessa iniciação a prova da sua reconciliação com a Divindade. Nesse mesmo ano, Willermoz foi recebido como membro não residente do Tribunal Soberano e a sua correspondência com o Mestre durou cinco anos.

Entretanto, durante esse período não obteve nenhuma luz, o que quase induziu Willermoz a abandonar a Ordem, apesar de Martinez lhe dizer que o desenvolvimento das qualidades espirituais, não vinha de um dia para o outro, e que somente o tempo e a perseverança na iniciação lhe poderia oferecer os resultados esperados.

Divindade, nada lhe será dado. Somente a graça da reconciliação do Pai dará a potência e o poder ao filho. A luz não é dada ao curioso, ao apressado; o Altíssimo a concede ao Homem submisso aos seus mandamentos e que pratica a sua justiça.

O Elus Cohen deveria seguir rigorosamente o ritual teúrgico e renunciar a tudo o que existe neste baixo mundo, e resignar-se a receber a graça no seu devido tempo. Esta virá, a partir de um trabalho constante, quando menos se espera. A preguiça, ou a impureza de um único membro durante os trabalhos, prejudica todo o trabalho coletivo dos grupos operativos.

Willermoz compreendeu rapidamente estas premissas e trabalhou de corpo e alma, não somente na sua regeneração pessoal como também com o objetivo de estender essa doutrina à Maçonaria, fazendo novos adeptos para a Ordem. Foi por essa razão que buscou a aliança com os maçons alemães da Estrita Observância Templária, isentos dos objetivos políticos e vingativos dos maçons Franceses.

OS DIRETÓRIOS ESCOCESES NA FRANÇA
O regime Escocês Rectificado originou-se da introdução na França, dos diretórios escoceses em 1773 e em 1774 pelo Barão de Weiler, que retificou certas lojas existentes em Estrasburgo segundo o rito da Estrita Observância Templária da Alemanha, cujo Grão-Mestre da loja de Saxe (região da Alemanha Oriental) era o Barão de Hund. Após uma longa troca de correspondências com Willermoz, Weiler instalou em 1774 em Lyon o primeiro Grande Capítulo da região e colocou Willermoz como chefe ou delegado regional.

Nesse mesmo ano, outros diretórios foram constituídos em Montpellier e em Bordeaux, cidade onde residia Martinez. O sistema era constituído por 9 graus, consistindo de três classes:

1a classe: Aprendiz, Companheiro e Mestre
2ª classe: Escocês vermelho e Cavalheiro da Águia Rosa Cruz
3a classe: (ordem interna): Escocês verde; Escudeiro noviço; Cavalheiro e Professos.

Os Professos eram considerados SUPERIORES INCÓGNITOS, pois não eram conhecidos dos membros da Ordem. O seu chefe, que mais tarde tornou-se conhecido, era o Duque Ferdinando de Brunswick, que possuía o título de Grande Superior da Ordem.

O CONVENTO DE GAULES (LYON, 1778)
O sucesso das lojas do Rito Escocês Rectificado foi total na França, principalmente porque elas eram oriundas das tradições templárias e sobretudo porque os seus chefes eram nobres autênticos, príncipes, duques, barões e as iniciações eram muito seletiva. Nessa mesma época, estava-se instalando o Grande Oriente da França, que fez questão de agrupar os Diretórios Escoceses sob sua égide e um tratado foi assinado nesse sentido. Esses diretórios não tinham uma direção central na França e uma união era preconizada por todos. Entretanto as desavenças em vez de diminuírem, aumentaram. O próprio Willermoz escreveu ao Príncipe Charles de Hesse, queixando-se que Weiler não conhecia nada sobre "as coisas essenciais";.

O grande superior Ferdinando de Brunswick procurava desesperadamente a doutrina e a coesão que faltava. Os Lyoneses detinham há 11 anos o sistema de Martinez de Pasqually, doutrina que poderia interessar aos Diretórios. Willermoz e Louis Claude de Saint-Martin de maneira muito oculta, prepararam as coisas com cuidado.

Eles conseguiram iniciar Jean de Turkeim e Rodolphe de Salznan na Ordem dos "Elus Cohens" homens de grande importância no seio da Estrita Observância Templária do Diretório de Estrasburgo. E esses dois homens desempenharam um papel muito importante quando os ocultistas de Lyon apresentaram a sua proposta dos conventos que iriam realizar no futuro. Com os espíritos preparados, segundo a doutrina de Martinez, os Lyoneses convocaram o CONVENTO DE GAULES em 1778, em Lyon. As grandes figuras da Estrita Observância Templária estiveram presentes em Lyon, mas preocuparam-se essencialmente com o futuro administrativo da Maçonaria. Willermoz demonstrou, desde logo, que a preocupação deveria nortear-se sobre o verdadeiro objetivo da Maçonaria, suas diretivas de estudos que deveriam orientar-se na busca da Divindade.

No transcurso dos trabalhos, decidiram distinguir as lojas simbólicas das lojas da Ordem Interior e substituir por Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa a palavra Templário. Os rituais apresentados pelos Lyoneses foram aprovados, assim como as instruções secretas de Willermoz, tiradas do "Tratado da Reintegração dos Seres Criados"de Martinez de Pasqually. O objetivo primeiro da Maçonaria seria comunicado somente aos iniciados nos dois últimos graus, os de "Professo" e do "Grande Professo". A denominação de Superior Incógnito, que tinha sido condenada anteriormente, foi ressuscitada no convento, e era designada àqueles portadores de alta doutrina da Ordem. Entretanto, o verdadeiro objetivo da Maçonaria, permanecia desconhecido por todos aqueles que não tinham entrado realmente dentro da iniciação, embora portassem títulos de nobreza e mesmo os altos graus do "Rito Escocês Rectificado". Além disso, havia várias tendências maçônicas e de outras sociedades espiritualistas que colocavam uma grande confusão nas mentes dos vários grupos maçônicos, oriundos de regiões diferentes. Havia assim, a necessidade da realização de um outro convento.

CONVENTO DE WILLELMSBAD DE 1782
Foi assim que quatro a nos mais tarde, em 1782, se realizou outro em Willelmsbad, com um número maior de participantes em relação àquele efetivado na cidade de Lyon em 1778. As reuniões duraram 45 dias e lá estavam presentes Willermoz e Saint-Martin, bem como, representantes dos Filaletes, dos Iluminados da Baviera, etc, todos ligados à Estrita Observância Templária.

A diversidade de idéias e de opiniões, impediu que se chegasse a um denominador comum e que se definisse com precisão a doutrina da Ordem. Desta maneira, acabou-se mantendo as mesmas resoluções do Convento de Lyon, inclusive a doutrina de Martinez. Abandonou-se a pretensão da descendência direta dos Templários, evocando-se, entretanto uma filiação espiritual, oriunda do Mundo Invisível.

Os rituais foram modificados substancialmente, diferenciando o sistema da Maçonaria Tradicional.

Esta é a razão pela qual o sistema foi denominado de RITO ESCOCÊS RETIFICADO


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O RB de Maçons Antigos, Livres e Aceitos

O Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos
É muito comum quando tratamos do RITO BRASILEIRO, ouvir alguns Irmãos afirmarem ser o Rito mais patriota dos praticados no âmbito do Grande Oriente do Brasil, realmente o RITO BRASILEIRO é o que traduz, sem qualquer dúvida, o espírito do Povo, ou melhor, dos Maçons Brasileiros, porem devemos considerar que todos os Ritos inspiram e buscam inculcar nos seus seguidores o Amor a Pátria, o cumprimento inflexível do Dever e a responsabilidade social dos maçons para com a humanidade.

Todos os Ritos procuram, através de seus ensinamentos, levarem os maçons a uma reflexão sobre a trilogia que fundamenta a própria essência da Maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Existe uma maior lição de patriotismo que a representada neste triângulo, base ideal de qualquer sociedade e suas relações intrínsecas.

O que faz então com que os Maçons associe o Patriotismo ao RITO BRASILEIRO? Vamos tentar entender o porquê, buscando uma síntese da história do RITO BRASILEIRO.

Um grande Maçom e brasileiro, o Soberano Grão-Mestre LAURO SODRÉ, sonhou com um Rito que fosse a expressão do espírito dos Maçons Brasileiros e unindo-se a outro grande Maçom e brasileiro, o Soberano Grão-Mestre NILO PEÇANHA, através do Decreto 500, em 1914, fundou o RITO BRASILEIRO. O Rito nasceu, portanto, da vontade de que fosse criado um Rito para os Maçons Brasileiros, não que os Ritos que vieram da Europa, como o Adonhiramita, o Francês Moderno, o Escocês Antigo e Aceito e o de York, fossem inadequados aos Maçons Brasileiros, mas era desejo daqueles pioneiros, a criação de um Rito que fosse o espelho da Alma do Maçom Brasileiro, um Rito que colocasse o Homem como centro da história e não como um mero protagonista.

Um Rito renovador que buscasse o desenvolvimento do Homem e o Progresso da Humanidade, o desenvolvimento nacional através do estudo e da busca de soluções para os principais problemas sociais que já incomodavam a Maçonaria daquela época. O RITO BRASILEIRO, não foi criado para substituir os demais Ritos praticados no âmbito da Maçonaria Brasileira, mas, tomando por base exatamente esses Ritos que serviram para criar o Espírito Maçônico Brasileiro, é uma opção a mais aos Maçons, aqueles que buscam encontrar na Maçonaria uma visão desenvolvimentista e progressista da sociedade brasileira e um estudo dos problemas que impedem esse progresso e suas possíveis soluções.

Mas o Rito adormeceu, e somente em 1968, através Decreto 2080, foi reimplantado sob a orientação firme e segura do Soberano Grão-Mestre ÁLVARO PALMEIRA, que segundo conta o Eminente Grão-Mestre JOSÉ COÊLHO DA SILVA, afirmou categoricamente: "Vou reimplantar de forma definitiva o Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos em 33 (trinta e três) graus, como expressão máxima da Maçonaria renovada".

ÁLVARO PALMEIRA, partiu então para um trabalho incansável, organizar e estruturar o Rito, inicialmente dedicou-se a base, aos três graus simbólicos, onde desenvolveu de forma ortodoxa a tradição e os postulados maçônicos universais, necessários à regularidade universal do Rito e ao aperfeiçoamento moral e cultural do Maçom. Contudo na formulação dos graus filosóficos procurou levar os Maçons ao Estudo, Análise e Busca de Soluções dos grandes Problemas enfrentados pela humanidade, em especial aqueles afetos aos interesses da Pátria, mostrando a necessidade da evolução social, como forma concreta do bem estar dos povos. Procurou também, seguindo os postulados maçônicos, afastar dos graus superiores a superstição em todas suas formas, inclusive a religiosa, buscando a Fé Racional, fundamentada na Teologia, como expressão da característica Teísta do Rito.

Para alcançar esses objetivos fundamentais, o RITO BRASILEIRO desenvolve nos graus filosóficos uma estrutura caracterizada pela busca do desenvolvimento social do Homem, através do estudo e solução dos problemas enfrentados pela humanidade, para tal estruturou estes graus de forma que nos graus 4 ao 18, procura analisar o Homem como Indivíduo, estudando os valores sociais, culturais e morais, a pratica individual do bem, tendo como objetivo final a Perfeição Humana; nos graus 19 a 30, busca a análise do Homem como Ser Social, em suas intrincadas relações psicossociais, através do estudo das atividades humanas relacionadas basicamente ao trabalho, a agricultura, a indústria, ao comércio, a economia e a justiça, fundamentando-se nas ciências, nas religiões e na filosofia, buscando alcançar os meios para justa distribuição dos bens sociais, criando bases sociais seguras que conduzam a Pátria a Paz, a Ordem e ao Bem Estar Social; nos 31 e 32, o Maçom é conduzido à análise do Homem como Cidadão, os Guardiões do Bem Público e do Civismo buscam, através do estudo da organização e estrutura das Nações, compreenderem os princípios basilares da Ordem Pública e Social, analisando as diversas expressões da Liberdade do Homem e dos Povos, dos Direitos e Deveres individuais e sociais, da prática da Política como forma de concretização dos objetivos nacionais e garantia da democracia, e do Civismo como expressão máxima do amor a Pátria; finalmente no grau 33 o Maçom é conduzido à imagem do Homem Ideal, síntese de toda esta trajetória, o Servidor da Ordem e da Pátria, não há maior Honra que Servir aos seus Semelhantes, a nossa Ordem e a Pátria.

Concluindo, esperamos haver conduzido os Ilustres Irmãos, neste curto passeio pelo RITO BRASILEIRO, a análise e possíveis conclusões do porque de muitos Irmãos associarem o RITO BRASILEIRO ao Patriotismo. Na verdade o objetivo fundamental do Rito é a formação do Maçom, do Homem, de seu tempo, preocupado com os problemas que afetam a Humanidade, em particular com a sociedade de que ele faz parte, que é capaz de buscar nos ensinamentos do passado, com as devidas atualizações, o conhecimento necessário para solução dos problemas atuais. Um Maçom preocupado com o bem estar público e social, disposto ao combate a miséria, a imoralidade na gestão do bem público e a opressão social em quaisquer de suas formas alienantes e perversas, e a lutar pelo desenvolvimento social através da educação, da melhor distribuição de renda e do direito inalienável ao trabalho como fonte asseguradora da manutenção do indivíduo e de sua família.

O objetivo do RITO BRASILEIRO é formar UM HOMEM, UM BRASILEIRO, UM MAÇOM JUSTO E PERFEITO.

Eduardo G. S.
Grau 33, Membro Extranumerário do Supremo Conclave do Brasil do
Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos e Grão-Mestre Adjunto do GOERJ.
Postado por BAG


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RITO BRASILEIRO

A primeira referência a um rito maçônico brasileiro é encontrada em documentos existentes no Arquivo Nacional,pertencentes a D. Pedro I, que fazem alusão a uma Constituição Maçônica do Especial Rito Brasileiro. Ele teria surgido em Pernambuco, em 1878, e o documento apresenta uma relação nominal dos maçons, com 838 assinaturas (apud Sebastião Dodel dos Santos em Maçonaria (Ritos, Graus e Palavras Conexas), Editora Aurora, Rio de Janeiro).


Segundo o Regulamento Especial para o Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos, de 1976, o rito permaneceu adormecido até o Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Irmão Lauro Sodré, baixar, em 23 de dezembro de 1914, o Decreto N.º 500, conferindo legalidade, legitimidade e regularidade ao rito.
Em 16 de outubro de 1919, o Decreto N.º 536 deu nova forma à Constituição do rito, sendo incorporada ao patrimônio do GOB, pelo Decreto N.º 554, de 13 de junho de 1917. Como os rituais e estatutos não foram impressos, ficou impossível trabalhar no rito. Mesmo com as dificuldades, em São Paulo, alguns Irmãos mandaram imprimir rituais básicos, numa tentativa de fazer-lo funcionar.

Depois de muitos anos com altos e baixos, A Soberana Assembléia aprovou outra Constituição, em 22 de julho de 1940, e mais dois Decretos – N.ºs 1.617 e 1.636, que deram melhores condições para o fortalecimento do rito. A implantação definitiva, porém, só ocorreu quando a Constituição foi adaptada às exigências internacionais, o que foi aprovado em Sessão Especial do Soberano Supremo Conclave (órgão máximo e Odficina-Chefe) sendo referendada pelo Irmão Manoel Rodrigues Alves Filho, Grande Secretário da Guarda dos Selos do G\O\B\. Em 10 de julho de 1968, foi assinado o Tratado de Aliança e Amizade entre o Supremo Conclave para o Rito Brasileiro e o Grande Oriente do Brasil, ratificado pela Soberana Assembléia Federal Legislativa, em 27 de julho de 1969.

Na primeira Convenção Nacional do Rito, em 1974, foram apresentadas inúmeras sugestões para modificação da Constituição, sendo, a nova Carta, aprovada em 21 de setembro de 1976.

O Rito Brasileiro apresenta os graus simbólicos tradicionais - Aprendiz, Companheiro e Mestre e os seguintes graus filosóficos, num total de 33:

4 - Mestre da Discrição
19 - Missionário da Agricultura e da Pecuária

5 - Mestre da Lealdade
20 - Missionário da Indústria e do Comércio

6 - Mestre da Franqueza
21 -
Missionário do Trabalho

7 -
Mestre da Verdade
22 -
Missionário da Economia

8 -
Mestre da Coragem
23 -
Missionário da Educação

9 -
Mestre da Justiça ou Retidão
24 -
Missionário da Organização Social

10 -
Mestre da Tolerância
25 -
Missionário da Justiça Social

11 -
Mestre da Prudência
26 -
Missionário da Paz

12 -
Mestre da Temperança
27 -
Missionário da Arte

13 -
Mestre da Probidade
28 -
Missionário da Ciência

14 -
Mestre da Perseverança
29 -
Missionário da Religião

15 -
Cavaleiro da Liberdade
30 -
Missionário da Filosofia

16 -
Cavaleiro Igualdade
31 -
Guardião do Bem Público

17 -
Cavaleiro Fraternidade
32 -
Guardião do Civismo

18 -
Cavaleiro Rosa-Cruz ou da Perfeição
33 -
Servidor da Ordem e da Pátria


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RITOS DE MÊMPHIS-MISRAÏM

RITOS DE MÊMPHIS-MISRAÏM
Compilada de publicações da Grande Loja do Brasil para o Rito Antigo e Primitivo de Mêmphis-Misraïm, Porto Alegre, RS.
Historicamente, esta Obediência Maçônica, que comemorou seu bicentenário em 1988, originou-se quando dois ritos - o de Mêmphis e o de Misraïm - foram fundidos em 1881, por Giuseppi Garibaldi, que se tornou o seu primeiro Grão-Mestre. O Rito de Misraïm tinha sido fundado em Veneza, em 1788. Sua filiação veio através de Cagliostro que lhe confiou o grau mais baixo (primeiro) da Grande Loja da Inglaterra e os mais altos da Maçonaria Templária alemã.
Este é o início.

O Rito de Memphis foi constituído em Montauban, em 1815, por maçons que tinham tomado parte na campanha do Egito, com Napoleão Bonaparte, em 1799. A esses dois ritos foram acrescentados graus iniciáticos que vieram de obediências esotéricas do Séc. XVIII: o Rito Primitivo, o Rito dos Philadelphos, etc.

Durante o Séc. XIX, os Carbonários recrutaram membros nas Lojas Misraïm e Memphis. Eles tinham numerosas lojas na França e alguns de seus dignitários foram pessoas influentes, como o Duque Decazeo e o Conde Muraire, ambos Grandes Comendadores do Rito Escocês.

Na França, a obediência é o local de encontro dos maçons que compartilham uma atração por esoterismo, hermeticismo, simbolismo, etc. Há cerca de 90 lojas, na França, sem contar as oficinas dos graus elevados. Nestas oficinas há algumas centenas de membros, entre os quais se encontram maçons de todas as obediências que são mais qualificados no campo do esoterismo. Alguns são, mesmo, membros da administração de outras organizações ainda mais secretas.

O Rito de Memphis-Misraïm perpetua a tradição de adesão aos princípios de tolerância e liberdade de pensamento, que o tornaram o refúgio e local de recrutamento dos Carbonários durante o Reino do Terror Branco, no Séc. XIX.



O RITO DE MISRAÏM



A primeira menção ao Rito ocorreu em Veneza, em 1788, quando um grupo de socinianos (uma seita Protestante antitrinitarista), solicitou a patente de uma constituição a Cagliostro, que estava, então, em Trieste (ele veio a Veneza e ficou por seis semanas). Eles não queriam participar dos seus rituais mágico-cabalísticos; por isso, eles escolheram o Rito Templário para trabalhar.

Portanto, Cagliostro conferiu-lhes sua única Luz Maçônica. Ele tinha os primeiros três graus da Maçonaria Inglesa e os graus superiores da Maçonaria Alemã, que era fortemente influenciada pela tradição templária. O nome Misraïm é o plural de egípcio, que é a única reminiscência deste rito egípcio que deu sua personalidade como obediência. Ele se espalhou rapidamente para Milão, Gênova, Nápoles e apareceu na França, com Michel Bedarride, que recebera o Grão Mestrado (poderes máximos) em 1810, em Nápoles, de B. DeLasalle. De 1810 a 1813, os três irmãos Bedarride desenvolveram com sucesso o rito na França, quase sob a proteção do Rito Escocês. Realmente, ele contou com ilustres maçons na sua administração: o Conde de Muraire, Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito; o Duque de Decazeo; o Duque de Saxe-Weimar; o Duque de Leicester; o Tenente-General de Teste, etc.

Durante o Reino do Terror Branco, o Rito de Misraïm se tornou a obediência que transmitia o terceiro grau exigido aos Carbonários e esse grupo tinha, então, 22 lojas em Paris, 6 em Lion, 6 em Metz, 5 em Toulouse, 3 em Bordeaux, 3 em Genebra, 3 em Lausane e 1 em Couriray. A polícia da restauração conseguiu a sua dissolução porque ele era anticlerical e anti-realeza ferrenho. Depois de estar na clandestinidade por 18 anos, ele foi restaurado em 1838 e novamente dissolvido em 1841. Novamente emergindo dos subterrâneos em 1848, o Rito de Misraïm evoluiu até fundir-se com o Rito de Memphis, em 1881, o que foi uma realização de Garibaldi.



O Rito de Mêmphis



A maioria dos membros que acompanharam Napoleão Bonaparte na Campanha do Egito eram maçons pertencentes aos antigos ritos iniciáticos: Philaletes, Irmãos Africanos, o Rito Primitivo, e todos eram maçons do Grande Oriente de França. Tendo descoberto, no Cairo, um remanescente hermético-gnóstico e, no Líbano, a Maçonaria Drusa, que Gérard de Nerval também havia encontrado, e que remontavam à maçonaria operativa que acompanhou seus protetores, os Templários, os Irmãos da Campanha do Egito decidiram renunciar à sua filiação à Grande Loja da Inglaterra e recomeçar com um novo rito que nada ficaria a dever à Inglaterra, que era, à época, o inimigo número 1. Assim nasceu o Rito de Memphis, em 1815, em Montauban, sob a direção de Samuel Harris e Marconis de Négre.



Quando o Rito de Misraïm reagrupou os Jacobitas, que estavam nostálgicos da República, e os Carbonários, o Rito de Memphis reagrupou, rapidamente, os semi-retirados do ex- grande exército e os bonapartistas fiéis à Águia. Além disso, os dois ritos tinham o mesmo Grão Mestre, em 1816, um prelúdio à futura fusão. Mas o Grande Oriente era monarquista na sua maioria, o seu selo ostentava a Flor-de-Lis e teve sucesso na dissolução do Rito de Memphis. Entretanto, isso não durou muito e, em 1826 este rito retomou seu trabalho novamente, dentro do mesmo Grande Oriente. Dissolvido em 1841, tal como o de Misraïm, o Rito de Memphis se tornou clandestino e voltou dos subterrâneos apenas em 1848, com o advento da república. Dissolvido novamente em 1850, foi reativado em 1853, unindo-se ao Grande Oriente em 1862, obrigado a isso por uma decisão do Príncipe-Presidente. Com numerosas lojas no exterior, ele tinha pessoas ilustres em seus quadros, tais como Louis Blanc e Garibaldi, que logo se tornaria o unificador dos ritos de Memphis e Misraïm.



O Rito de Memphis-Misraïm



Os ritos de Memphis e Misraïm, até 1881, seguiram caminhos paralelos e até concordantes, no mesmo clima particular. De fato, ambos os ritos começaram a reagrupar maçons do Grande Oriente de França e do Rito Escocês Antigo e Aceito que estavam interessados em estudos do simbolismo esotérico maçônico: Gnose, Cabala e, até mesmo, hermetismo e ocultismo. Agora, esses dois ritos herdaram eram os depositários das antigas obediências iniciáticas do Séc XVIII: o rito de Philatenes, o Rito de Philadelphia, o Rito Primitivo etc., e tudo isso representado, no Rito de Misraïm, por 90 graus e, no de Memphis, por 95 graus. Como administrar e utilizar esse conjunto tão heterogêneo? Quando Garibaldi foi indicado como Grão Mestre Internacional ad vitam (os irmãos no exterior não haviam sofrido perseguições políticas como as que ocorreram na França), foi feita uma espécie de classificação não-hierárquica, a princípio, mas que rapidamente assim se tornou. De fato, os 95 graus do Rito de Memphis-Misraïm deveriam ser considerados um ambulatório dos restosdos velhos ritos maçônicos que não eram mais praticados ou o eram muito pouco, e não como uma escala de valores. Além disso, os acordos de 1863, com o Grande Oriente de França e de 1886, com a Grande Loja do Rito Escocês, que se tornaria a Grande Loja da França, falam, apenas, dos clássicos 33 graus (Ritos de Perfeição, seguidos pelo Rito Escocês Antigo e Aceito).

As Oficinas dos graus mais elevados do Rito de Memphis-Misraïm devem trabalhar: o 4.º Grau (Mestre Secreto); o 9.º Grau (Mestre Eleito dos Nove); o 13.º Grau (Real Arco); o 14.º Grau (Grande Eleito da Sagrada Abóbada); 0 18.º Grau (Cavaleiro Rosa-Cruz); o 28.º Grau (Cavaleiro do Sol); o 30.º Grau (Cavaleiro de Kadosh); o 32.º Grau (Príncipe do Real Segredo) e o 33.º Grau (Soberano Grande Inspetor Geral). O 66.º Grau (Patriarca Grande Consagrador) somente é conferido a alguns Irmãos que poderiam ser convocados como Consagradores, e uma certa preparação é exigida. Alguns o compararam a uma Consagração Episcopal. Os Graus 87, 88, 89 e 90 englobam o que os livros mencionam como Arcana Arcanorum (os Arcanos dos Arcanos). Os que são admitidos até o Grau 95 se convertem em protetores e conservadores do Rito, como o seu nome indica: Patriarca Grande conservador. É entre eles que o Grão Mestre Internacional escolhe os membros que servirão no Soberano Santuário Internacional, corpo giovernante supremo do Rito.

Além disso, os graus 66, 90 e 95 podem ser conferidos a Maçons como recompensa pelo seu valor, seus conhecimentos e sua fidelidade; o Grau 95 lhes confere o direito de ter assento no Conselho de Sábios, na sua qualidade de Grande Conservador do Rito.

Outros graus, tais como o Real Arco, não são obrigatórios e são deixados à escolha dos Irmãos. A sagração como cavaleiro é transmitida a alguns Irmãos com o Grau 20 (Cavaleiro Templário ou Cavaleiro do Templo), derivados diretamente da Antiga e Estrita Observância Templária e dos Cavaleiros Beneficentes da Cidade Sagrada de Jean-Baptiste Willermoz.

As lojas do Rito de Memphis-Misraïm trabalham no Rito Egípcio. Sobre os seus altares, eles acrescentam, ao compasso e esquadro, a régua, símbolo do Grande Arquiteto do Universo e da Divina Lei. Esse rito deu origem ao chamado rito Francês ou Moderno, também utilizado em algumas lojas do rito Mênphis-Misraïm.

Desde março de 1960, o Presidente do Conselho Nacional eleito assegura a administração de todas as lojas azuis do rito, na França e nos países associados. Em 10 de maio de 1991, a obediência francesa foi admitida no C.L.I.P.S.A.S. (Centre of Liaison and Information of the Masonic Powers – Centro de Ligação e Informação das Potências Maçônicas, signatária da reunião de Estrasburgo), registrando, desta forma, a sua ação ao lado da maçonaria liberal européia.

O Rito de Memphis-Misraïm perpetua a sua tradição de fidelidade aos princípios democráticos a às ciências iniciáticas.

O Rito de Memphis-Misraïm foi trazido ao Brasil em 1989 e se foi estruturando até completar a sua pirâmide em 1996. Ele trabalha como potência independente, em nível nacional e está ligado aos outros países por uma Coordenação Internacional. A Grande Loja Simbólica do Brasil reune lojas masculinas, femininas e mistas. Ela se filia ao Soberano Santuário do Brasil, que é a potência para todos os graus filosóficos, herméticos e esotéricos. O nome completo do rito é Rito Antigo e Primitivo Memphis-Misraïm. Seus graus são: simbólicos, do 1.º ao 3.º (aprendiz, companheiro e mestre); filosóficos, do 4.º ao 33.º; e herméticos ou esotéricos, do 34.º ao 95.º.


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RITO DE HEREDOM OU DE PERFEIÇÃO

RITO DE HEREDOM OU DE PERFEIÇÃO
 Transcrição do verbete RITO DE HEREDOM ou DE PERFEIÇÃO, in DICIONÁRIO DE MAÇONARIA, Joaquim Gervásio de Figueiredo, Ed. Pensamento, São Paulo, 4.ª edição
Em 1758, um grupo de irmãos de altos graus inaugurou, em Paris, um Capítulo de Soberanos Príncipes Maçons, sob o título de Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém. Seus membros, intitulando-se Poderosos Mestres do Grande Conselho das Lojas Regulares".
Este é o início.
Eram, em sua maioria, homens descendentes da nobreza, de alta cultura e conhecedores das tradições místicas e gnósticas oriundas de longínquo passado. Herdaram não só os ritos de Clermont e as correntes escocesas de Kilwinning e de Heredom, mas, também, as tradições derivadas diretamente de fontes templárias e rosacrucianas e os poderes do rito egípcio. Não obstante seus profundos conhecimentos, eram, no entanto, homens eivados de muito orgulho, como soia acontecer com tantos nobres do "antigo regime"; e eles foram os criadores do Rito de Heredom ou de Perfeição, com 25 graus, cuja nomenclatura adotada foi a seguinte:
Classes Graus Denominação
1.ª
1
Aprendiz

2 Companheiro
3.ª Mestre
2.ª
4
Mestre Secreto

5 Mestre Perfeito

6 Soberano Íntimo

7 Intendente dos Edifícios

8 Preboste e Juiz

3.ª
9
Mestre Eleito dos Nove

10 Mestre Eleito dos Quinze
11 Ilustre eleito Chefe das Doze Tribos
4.ª 12
Grão-Mestre Arquiteto

13 Cavaleiro do Real Arco
14 Grande Eleito Antigo Mestre Perfeito
5.ª 15
Cavaleiro do Oriente e do Ocidente

16 Cavaleiro Rosa-Cruz
17 Grande Pontífice ou Mestre Ad Vitam
6.ª 18
Grande Patriarca Noaquita

19 Grão-Mestre da Chave da Maçonaria
20 Príncipe do Líbano Grande Cavaleiro do Real Arco
21 Cavaleiro do Sol Príncipe Adepto
7.ª
22
Chefe do Grande Consistório

23 Ilustre Cavaleiro Grande Comendador da Águia Branca e Negra
24 Ilustríssimo Soberano Príncipe da Maçonaria
25 Grande Cavaleiro SublimeComendador do Real Segredo


Em 1762, sob os auspícios do mesmo Conselho, foram publicados os Regulamentos e Constituições da Maçonaria de Perfeição e, em 25 de outubro desse mesmo ano, foi, a sua classificação de graus, ratificada em Berlim. Esses graus, cujos títulos não sofreram modificações desde 1762, foram, depois, adotados pelas Grandes Constituições de 1.º de maio de 1786, que fixaram definitivamente as bases do Rito Escocês Antigo e Aceito, de 33 graus, formalmente adotado pelo Supremo Conselho Mundial de Charleston, VA, EUA, em 31 de maio de 1801.

Muitos escritores maçônicos, apologistas da diminuição do número de graus ou da reforma simplificadores de 1717 de que resultou a expansão da Maçonaria Especulativa, têm criticado acerbamente as reformas inclusivistas de 1758 e 1786, pela multiplicidade dos graus adotados. No entanto, deve-se ter em vista que grande número de lojas maçônicas, dentro e fora da Inglaterra, nunca havia aceito a reforma de 1717 que, conseqüentemente, foi, progressivamente, aumentando seu número de graus que, de dois primeiros, só concedíveis pela Grande Loja, passaram para três, em 1725, concedíveis pelo Venerável da cada Loja, com a aprovação dos Vigilantes e da maioria dos irmãos Mestres, e para quatro, em 1813, com o acréscimo do grau Santo Real Arco aos três simbólicos, como conseqüência da união operada entre os maçons "antigos", de York e os "modernos", de 1717, de que resultou a constituição da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Além do mais, os reformadores de 1717 parece terem tido um plano mais modesto, circunscrito às ilhas britânicas, ao passo que os de 1758 visaram, nitidamente, a uma reestruturação maçônica em escala mundial. Eis o preâmbulo de seu plano de reforma:

Com o decurso dos tempos, a Maçonaria e a unidade de seu regime primitivo sofreram grandes alterações, por efeito das catástrofes e das revoluções que as subverteram, mudaram alternativamente a face do mundo e dispersaram os maçons pelos diversos pontos do globo... Essa dispersão operou as divisões que existem hoje, sob o nome de Ritos e cujo conjunto compõe a Ordem. Mas outras divisões, saídas do seio dessas primeiras, deram lugar a novas associações, das quais um grande número só tem, de comum com a Maçonaria, o nome e algumas formas conservadas por seus fundadores para encobrir seus secretos desígnios. As perturbações que essas novas associações trouxeram e, muitas vezes, mantiveram na Ordem, são conhecidas e não fizeram mais do que expô-la a suspeitas, à desconfiança de quase todos os chefes de governo e, mesmo, às perseguições de alguns.

Os esforços dos Maçons virtuosos conseguiram acalmar tais perturbações, e todos os seus votos são por uma medida geral que previna a sua reprodução e consolide a Ordem, restituindo-lhe a unidade de sua direção, da sua organização primitiva e de sua antiga disciplina. As novas e vivas representações que nos têm sido dirigidas de todas as partes nos demonstram a urgência que há em opor um poderoso dique aos progressos do espírito de intolerância, de seita, de cismas e de anarquia, que inovadores recentes se esforçam por introduzir entre os irmãos, com intuitos mais ou menos restritos, irrefletidos ou censuráveis, e apresentados sob formas especiosas, capazes de desviar a verdadeira Maçonaria de seus objetivos, desnaturando-a.

Por conseguinte, adotando para a base de nossa reforma o título do primeiro desses ritos (Heredom) e o número de graus hierárquicos do último (Perfeição), nós os declaramos todos unidos e aglomerados desde esta data, numa só Ordem que, professando o dogma e as doutrinas puras da Maçonaria primitiva, abrangerá todos os sistemas do Escocismo, sob o título de Rito Escocês Antigo e Aceito.



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O RITO DE YORK

Segundo Sebastião Dodel dos Santos, o Rito de York (ou Iorque) ter-se-ia originado em 1743, na Irlanda, conforme um relatório da Loja de Youghal, que menciona o simbolismo do grau do Santo Real Arco. Daí, o outro nome pelo qual ele é conhecido: Rito do Real Arco. O Rito foi levado a Londres em 1777, estabelecendo-as, aí, o Grande Capítulo do Real Arco, posteriormente chamado de Rito dos Antigos Maçons e, mais tarde, Rito de York.

O Rito de York é composto de quatro graus filosóficos: Past Master, Mark Master, Super-Excellent Mason e Holy Royal Arch. Um Mestre Maçom que tenha aderido a um Capítulo de Maçons do Arco Real, recebido os quatro graus desta organização poderá, depois disso, procurar mais conhecimentos na Maçonaria se for admitido num Conselho de Maçons Crípticos. Os Conselhos de Maçons Crípticos formam o corpo central do Rito de York da Maçonaria Livre.

O RITO CRÍPTICO

Nenhum Rito da Maçonaria Livre conseguiu ser tão bem sucedido nos últimos anos como o conjunto de graus conhecidos como o Rito Críptico. O crescimento atingido tem sido importante de tal forma que um em cada dois Maçons do Arco Real é Maçom Críptico. A sua popularidade é bem merecida porque não existem graus mais belos e significativos em toda a Maçonaria Livre do que os conferidos num Conselho de Maçons Crípticos.

A Maçonaria Livre é muito filosófica e ensina os seus ideais através de alegorias ou histórias. Esta filosofia é moralista e religiosa. Contudo, a Maçonaria Livre não é uma religião, ou um seu substituto. Um requisito para ser membro da Maçonaria Livre é a crença declarada em Deus e na vida eterna. É imperativo que o candidato professe pessoalmente uma fé num Ser Supremo antes de tornar-se Maçom Livre. A Maçonaria Livre nunca tenta alterar as crenças de cada um. A Maçonaria Livre não oferece uma teologia ou plano de salvação. Contudo, oferece um plano moral para ser aplicado neste mundo. Deixa ao Maçom a faculdade de tratar da sua salvação na próxima vida através da sua própria religião.

Uma das razões para a popularidade dos Graus Crípticos é porque completam a história da alegoria maçônica. A "Palavra" representa na alegoria maçônica a busca pelo homem de objetivos para a vida e para a natureza de Deus. Simbolicamente, a Maçonaria Livre ensina, na Loja, como a Palavra se perdeu e sobre a esperança da sua recuperação. O Arco Real, no Capítulo, ensina como ela foi redescoberta. A Maçonaria Críptica, no Conselho, completa esta história ensinando como se preserva a Palavra inicial.

ORIGEM DOS GRAUS

Tal como em muitos dos graus maçônicos, as origens dos graus crípticos estão cobertas de mistério.

Há cerca de 200 anos surgiram os graus de Mestre Real e Mestre Escolhido (chamados graus da Preservação) como se surgissem de lado nenhum. Leitores maçons, viajantes através do Leste Estados Unidos, conferiram-nos a outros Maçons, enquanto empenhados na instrução dos obreiros da Loja e dos Companheiros do Capítulo. Até o Supremo Conselho do Rito Escocês incluiu o grau de Mestre Escolhido como um dos seus graus "separados". Mas estes belos graus não permaneceram separados por muito tempo. No Estado de Connecticut, EUA, nasceu o primeiro Grande Conselho em 1819. Na Virginia e na Virginia Ocidental, os graus foram desenvolvidos nos Capítulos do Arco Real, sob cuja autoridade ainda permanecem. Nos anos de 1870 foi criado nos, Estados Unidos, um Grande Conselho Geral. Hoje, este Grande Conselho conta, como associados, com a maioria dos Grandes Capítulos dos Estados Unidos, bem como os da parte ocidental do Canadá e outros Estados fora do Continente americano.

Os "Shriners" (Ancient Order Nobles of the Mystic Shrine) requerem que os seus membros sejam Cavaleiros Templários (Rito de York) ou Maçons do 32º (Rito Escocês). Até há poucos anos atrás, a Maçonaria Críptica não constituía requisito para ser membro dos Shriners ou duma Comenda de Cavaleiros Templários. Contudo, nos anos mais recentes um grande número de Grandes Comendas de Cavaleiros Templários tornaram os graus Crípticos um pré-requisito para as Ordens do Templo. Tornaram-se, assim, conseqüentemente um pré-requisito do Rito de York para o Shrine. Parece existir uma tendência crescente para que esta política seja adotada por um número crescente de Comendas nos próximos anos.

A ABÓBADA E OS MISTÉRIOS

Todos os estudiosos da Bíblia e os arqueólogos conhecem as abóbadas ou crípticas sob o Templo do Rei Salomão. Duvidamos que os Graus Maçônicos tenham sido conferidos naquelas abóbadas. Contudo, tal lenda continua a persistir através da Maçonaria Livre.

O autor maçônico, Albert G. Mackey, escrevendo acerca da abóbada diz: " A Abóbada era, então, nos antigos mistérios símbolo de sepultura; para a iniciação era símbolo de morte, onde só a Divina Verdade pode ser encontrada. A Maçonaria livre adotou a mesma idéia. Ensinam que a morte é apenas o princípio da Vida; que se o primeiro, ou o templo evanescente da nossa vida transitória está à superfície, devemos descer à abóbada secreta da morte antes de encontrarmos a sagrada jazida da Verdade que adorna o nosso segundo Templo da Vida Eterna". Este ensinamento não é invulgar na Maçonaria Livre visto que os requisitos prévios para a iniciação incluem que se professe a crença em Deus e na vida eterna.

O USO DO NOME CRÍPTICO

Os graus do Rito de York são classificados em Simbólicos (Loja de Mestres Maçons). Capitulares (Capítulo de Maçons do Arco Real), Crípticos (Conselho de Maçons Crípticos), e Cavalheirescos (Comenda Templária). O Rito Críptico tem o seu nome derivado da palavra Críptica porque a cena dos graus de Mestre Real e Mestre Escolhido ocorre na Críptica subterrânea sob o Templo do Rei Salomão. A palavra críptica significa escondido, daqui a sua utilização na descrição destes graus. O último grau do Rito Críptico não é críptico porque não cumpre o requisito da cena se desenrolar na abóbada. Deve ser considerado como um grau apêndice do Rito Críptico que não possui conexão quer histórica ou simbólica com os de Mestre Real e Mestre Seleto, como veremos à frente.

No Rito de York podemos distinguir as seguintes partes integrantes: As Lojas Simbólicas (também chamadas de S. João ou azuis, (cor que embeleza os respectivos aventais no Rito de York) que são governadas por Grandes Lojas; os Capítulos que estão subordinados a Grandes Capítulos de Maçons do Arco Real; os Conselhos de Mestres Reais e Seletos, os quais são controlados por Grandes Conselhos de Maçons Crípticos; e as Comendas de Cavaleiros Templários que são governadas por Grandes Comendas.


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Observações do Irm\ Joaquim da Silva Pires, Or\ de São Paulo, SP

(Excertos da revista A Trolha)

Em verdade, "Rito de York" é um sistema norte-americano (que a Maçonaria do Brasil não adota, por enquanto!) e que é dividida em quatro partes, em consonância com persuasivo ensinamento proveniente do "Educational Bureau General Grand Chapter, R. A. M.", de Lexington, Kentucky, Estados Unidos da América, a saber:

Primeira Parte (Lojas Azuis): Aprendiz (nº 1), Companheiro (nº 2) e Mestre (nº 3);

Segunda parte (Capítulos do Real Arco): Mestre de Marca (nº 4), Mestre Passado (nº 5), Mestre Distinto (nº 6) e Maçom do Real Arco (nº 7);

Terceira parte (Conselho de Mestres Reais e Eleitos): Mestre Real (nº 8), Mestre Eleito (nº 9) e Maçom do Real Arco (nº 10);

Quarta parte (Conselho de Cavaleiros Templários): Ordem da Cruz Vermelha (nº 11), Ordem de Malta (nº 12) e Ordem do Templo (nº 13).


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UM GRANDE ERRO

(excerto transmitido ao autor por um Irmão de uma Loja do Ceará)

A descoberta mais recente de um erro fantasticamente grande, mas que todos nós estamos fazendo de conta que não sabemos, foi feita recentemente pelo nosso Irmão Joaquim da Silva Pires. Trata-se do Suposto Rito de York, que é teimosamente omitido pela grande maioria dos nossos autores em seus escritos, e também das nossas autoridades, visto que, por essa descoberta, todas as Constituições, Regulamentos e Rituais que mencionem o nome Rito de York, aqui no Brasil, como se fosse o Rito praticado na Inglaterra, incontestavelmente devem ser corrigidos para Cerimônias Exatas do Ritual de Emulação. Na verdade, esse erro provou que os nossos melhores autores (e nós também), por muitos anos, "comemos bola", porque não sabíamos e continuamos errando, já agora mesmo sabendo, eis que, viciados com o nome York, não conseguimos dele nos livrar. A exemplo destas verdades de agora, existem ainda muitas outras para serem mostradas pela visão da vertente anglo-saxônica.

De fato, sem quaisquer suspeições, não se pode negar que, em nosso País, a vertente francesa é muito mais conhecida. Por isso, aos que pretendem criar, no Brasil, um "Rito de Emulação" (em lugar de "Rito de York"), é necessário acrescentar que, na Inglaterra, "Emulation" não é nome de um Rito. É o nome de um Ritual, onde está contido um Rito inominado (Obs: esse rito – Emulation Ritual, destinava-se, tão somente, ao Grau de Mestre, com a finalidade de preservação das práticas ritualísticas). Aliás, o "Emulation", apesar de sua prevalência, não é o único Ritual usado pelos ingleses. Há, também, o "Bristol", o "Stability", o "Muggeridge", o "Claret" e outros, entre os quais o "York Working", que, entretanto, é um sistema exclusivo da "York Lodge nº 236", sem o mais remoto liame com aquele que, no Brasil, recebeu o desacertado nome de "Rito de York".

A "United Grand Lodge of England" confere apenas os denominados Graus Simbólicos, vale dizer, Aprendiz ("Apprentice"), Companheiro ("Fellow Craft") e Mestre Maçom ("Master Mason"). Se assim é, como se explica (perguntarão os Respeitáveis Irmãos Leitores) a existência de Capítulos ("Chapters") do Sagrado Arco Real ("Holy Royal Arch")? Não se trata (responde este articulista) de um quarto Grau, mas, sim, indubitavelmente, de uma indispensável extensão do Grau de Mestre.

Na vertente francesa, o Grau de Mestre não se completa dentro dos denominados Graus Simbólicos, pois há uma então ignorada palavra perdida, que só é descoberta em um dos denominados Graus Filosóficos. O sistema inglês é diferente. Quando os Mestres recebem a extensão caracterizadora do "Sagrado Arco Real" (no respectivo Capítulo), transmite-se-lhes a almejada palavra. Essa transmissão faz com que, verdadeiramente, fique completo o Terceiro Grau ("Third Degree").

Aqui, no Brasil, foram fundados vários Capítulos do Arco Real (não confundi-los com os Capítulos da vertente francesa, onde são ministrados só os chamados Graus Filosóficos a ele pertinentes, e nunca os chamados Graus Simbólicos). Os dois primeiros foram o "Silver Jubilee", em São Paulo - SP, de 7 de agosto de 1935, e o "Guanabara", no Rio de Janeiro, de 6 de novembro de 1935. São mais novos o "Wanderer’s", em Santos, de 6 de fevereiro de 1952, "Centenary", em São Paulo - SP, de 3 de novembro de 1954, "Campos Salles", em São Paulo - SP, de 31 de julho de 1957 (instalado em 16 de novembro de 1957) e "Royal Edward", no Rio de Janeiro, de 5 de maio de 1954. Todos esses Capítulos nasceram e continuaram, sempre, subordinados, diretamente, à "United Grand Lodge of England". Os Rituais ingleses são excelentes. Existe uma boa tradução, em português, elaborada em 1970 e impressa em 1971 pelo "Campos Salles Chapter", de São Paulo - SP, com a denominação de "Ritual Dogmático das Cerimônias do Sagrado Arco Real, incluindo as Instalações dos Três Principais". Quem não conhecer o sistema inglês, não saberá o que significam os "Três Principais".

Sem prejuízo de seu ingresso e de sua permanência em um dos Capítulos do Sagrado Arco Real, o Mestre Maçom poderá pleitear seu ingresso na Maçonaria de Marcas ("Mark Masonry"), que não está subordinada à "United Grand Lodge of England". Essa Maçonaria nasceu na Escócia e foi adotada pelos ingleses, que, em 17 de novembro de 1851, devidamente autorizados pelos escoceses do "Bon Accord Mark Chapter", fundaram a "London Bon Accord Mark Lodge". Mais tarde, em 23 de junho de 1856, foi fundada a "Grand Lodge of Mark Master Masons" (Grande Loja de Mestres Maçons de Marcas) e, vinte e dois anos depois, a "Grand Lodge of Mark Master Masons of England and Wales and Dominions of the Crown" (Grande Loja de Mestres Maçons de Marcas da Inglaterra e Gales e Domínios da Coroa).

No Brasil, também existem Lojas de Marcas, que, tanto quanto as inglesas (de Marcas), não estão subordinadas à "United Grand Lodge of England". Essas Lojas são a "Saint Paul’s", de São Paulo - SP, fundada em 26 de agosto de 1936, "Wanderer’s", de Santos, fundada em 27 de setembro de 1949, "Guanabara", do Rio de Janeiro, fundada em 18 de junho de 1951, e "Campos Salles", de São Paulo - SP, fundada em 1º de janeiro de 1969.

Há uma extensão denominada "Royal Ark Mariners" (Nautas do Real Arco). Essa extensão é muito praticada na Inglaterra, em várias e várias Lojas (específicas), sem subordinação à "United Grand Lodge of England". Igualmente sem subordinação, existem, no Brasil, duas Lojas de Nautas do Real Arco, a "Saint Paul’s", de São Paulo - SP, fundada em 5 de abril de 1951, e a "Guanabara", do Rio de Janeiro, fundada em 4 de junho de 1953.

Ainda mais, existem na Inglaterra, os "Knights of Malta" (Cavaleiros de Malta) e os "Knights Templars" (Cavaleiros Templários), sem vinculação com a "United Grand Lodge of England" e sem vinculação com a "Grand Lodge of Mark Master Masons of England and Wales and Dominions of the Crown".

No Brasil, não funcionam quaisquer Corpos dos Cavaleiros de Malta. Porém, quanto aos Cavaleiros Templários, é importante esclarecer que os ingleses consagraram uma Preceptoria em Buenos Aires, no ano de 1968, e que os argentinos consagraram, no ano de 1969, uma "Crux Meridionalis" (Cruz Meridional*) em São Paulo - SP, então com vinte e quatro membros (entre os quais sete honorários), na Rua São Luís, nº 1.231, no bairro de Santo Amaro. É evidente que os Respeitáveis Irmãos Leitores não confundirão os Cavaleiros de Malta e os Cavaleiros Templários, da Maçonaria, com duas sociedades homônimas, profanas, que, pela via postal, fazem vistoso proselitismo.

*Ou Cruzeiro do Sul


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MAÇONARIA ADONHIRAMITA

O mais antigo documento conhecido referindo-se ao mestre arquiteto do Templo sob a denominação de Adonhiram é o Cathécisme des Francs Maçons ou Le Secret des Francs Maçons (Catecismo dos Franco-Maçons ou O Segredo dos Franco-Maçons), editado em 1744, de autoria, possivelmente, um abade, cujo nome seria Leonardo Gabanon. Em 1730, nasceu o Théodore de Tschoudy, considerado o organizador da segunda parte da obra Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite (Compilação Preciosa da Maçonaria Adorinamita), cuja primeira edição ocorreu em 1787. O Barão Tschoudy foi membro do parlamento de sua cidade natal, Metz, França, onde residiu de 1756 a 1765.


Maçom entusiasta e estudioso, Tschoudy utilizou seu aguçado espírito crítico para bater-se contra a proliferação desordenada dos altos graus do Rito de Heredon, do qual derivariam alguns dos ritos atuais, como o escocês, o moderno e o Adonhiramita. Inicialmente, Tschoudy se propôs a reformar os graus então existentes, reduzindo-os a quinze e depurando-os de tudo o que não fosse fiel à tradição maçônica. Em 1766, Tschoudy publicou L'Étoile Flamboyante ou La Société des Francs-Maçons (a Estrela Flamígera ou A Sociedade dos Franco-Maçons), obra em que propôs a criação de uma nova Ordem de altos graus, a Ordem da Estrela Flamígera, com três graus: Cavaleiro de Santo André, Cavaleiro da Palestina e Filósofo Desconhecido. Desentendendo-se com os membros do novo Conselho, dedicou-se ao já citado Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite.

Alguns autores, porém, atribuem a autoria da Compilação a Louis Guillemain Saint-Vitor. Esta interpretação foi feita por Ragon, que citou este último autor em seu ritual de mestre, na bibliografia nele mencionada. A confusão se deve à divisão da obra em duas partes, de estilos totalmente diferentes, sendo, a primeira, pródiga em notas e explicações, enquanto a segunda é lacônica e breve. Deduzem, os estudiosos, que a primeira parte foi escrita por Saint-Vitor e a segunda, por Tschoudy, em data anterior àquela.

A Compilação, aceita-se hoje, foi publicada em dois volumes, em 1787, incluindo os graus simbólicos, graças a Saint-Vitor, que os escreveu pouco antes da publicação, ou seja, quase vinte anos depois da morte de Tschoudy. A primeira parte da Compilação era relativa aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. A segunda, compreendia os graus de perfeição: Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove, Segundo Eleito Nomeado de Pérignan, Terceiro Eleito Nomeado eleito dos Quinze, Pequeno Arquiteto, Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês, Mestre Escocês, Cavaleiro da Espada Nomeado Cavaleiro do Oriente ou da Águia, Cavaleiro Rosa Cruz e O Noaquita ou Cavaleiro Prussiano.

Na Europa, o Rito Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal, difundindo-se nas colônias e sendo o preferido da armada napoleônica. Com a difusão do Rito Francês ou Moderno, o Rito Adonhiramita começou a ser abandonado, restringindo a sua prática ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe. Graças a isso, o Rito manteve a sua pureza original e não sofrendo as influências do teosofismo, ocorrida com os outros ritos no final do século XIX.

Em Portugal, a primeira Loja Maçônica se instalou em 1727, sendo regularizada pela Grande Loja de Londres em 1735, denominada Hereges Mercantes. Na Loja de Coimbra, fundada em 1773, encontravam-se os brasileiros Antônio de Morais Silva, Antônio Pereira de Souza Caldas, Francisco de Melo Franco e Joaquim José Cavalcanti. Igualmente, em outras lojas, em Lisboa e no Funchal, existiam irmãos brasileiros.

Em 18 de fevereiro de 1722, foi inaugurada a Academia Científica, fundada no ano anterior, com o apoio do então Vice-Rei D. Luiz de Almeida Soares Eça, Marquês de Lavradio. Em 6 de junho, adota o nome de Sociedade Literária Rio de Janeiro, funcionando até 1790, quando a devassa da Inconfidência Mineira suspendeu os seus trabalhos. Essa Academia é tida, hoje, como uma loja maçônica disfarçada, como sugerem alguns textos posteriores como o que se segue, de autoria do Barão de Rio Branco, em Efemérides Brasileiras:

"Uma divisão naval francesa, comandada pelo Capitão Landolphe, tendo cruzado alguns dias perto da barra do Rio de Janeiro, fez algumas presas e segui, nesta data, para o Norte. Na altura de Porto Seguro, encontrou-se com a esquadra do comodoro inglês Rowley Bulteel, e no combate renderam-se duas fragatas francesas. Os prisioneiros foram entregues no Rio de Janeiro, ao Vice-Rei, Conde de Resende. Refere o Comandante Landolphe, que foi bem tratado, porque era pedreiro-livre. Um dos filhos do vice-rei levou-o a uma festa maçônica - introduzindo-o no recinto do templo - diz ele em suas memórias, ouvi, com muito prazer, o discurso do venerável..."

Outro fato importante, que poucas obediências de outros países possuem, é o manifesto, como prova de regularidade de origem da Maçonaria Brasileira, através de uma Loja Adonhiramita - A Loja Reunião - que se subordinava ao Grande Oriente de França. Em 1815, foi fundada a Loja Comércio e Artes que, com a divisão do seu quadro, formou outras duas: a Loja União e Tranqüilidade e a Loja Esperança de Niterói. Essas lojas adonhiramitas fundaram, em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil.

Em 1839, a Constituição do Grande Oriente do Brasil criou o Colégio dos Ritos, incluindo o Rito Adonhiramita. Em 1851, foi criado o Colégio dos Ritos Azuis e em 1873, o Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas, também pelo Grande Oriente do Brasil. Após a separação da Maçonaria Brasileira, os graus simbólicos ficaram com o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos. Em 2 de junho de 1973, o Mui Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil instituiu os graus de Kadosh e aumentou o número de graus para trinta e três. A partir dessa data, o governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita ficou a cargo do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita.

O Rito Adonhiramita é o segundo mais praticado no Brasil, com especial concentração nos Estados de São Paulo e Pará. Atualmente, ele é reconhecido pelas potências maçônicas regulares, participantes da Confederação Maçônica Interamericana.


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RITO DE SCHRÖDER

(Livre transcrição de artigo publicado na revista Theorema, Ano 4, N.º 19, da Loja Pitágoras II, Or de Brasília, DF)
Os Rituais de Schröder (pronuncia-se Chrœder) foram aprovados em 1801, pela Assembléia dos Veneráveis Mestres da Grande Loja de Hamburgo, Alemanha, sendo praticado por alemães e seus descendentes, em diversos países. No Brasil, com a colonização germânica no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o rito estabeleceu-se, inicialmente, no idioma alemão. Mais tarde, foi traduzido para o Português e, hoje, é reconhecido pelas Grandes Lojas Estaduais - CMSB, pelo G\O\B\ e pelos Grandes Orientes Estaduais Independentes – COMAB.

Os Rituais foram elaborados por uma Comissão presidida pelo Irmão FRIEDRICH LUDWIG SCHRÖDER, nascido em 3 de novembro de 1744 e falecido em 3 de setembro de 1816. Iniciado em 1744 no Rito da Estrita Observância, em 1785 foi eleito V\M\ de sua Loja-Mãe, a Emanuel Zur Maienblume, ficando no cargo até 1799. Entre 1794 e 1814, foi Deputado do Grão-Mestre (Grão-Mestre Adjunto) e, de 1814 a 1816, Gão-Mestre da Grande Loja de Hamburgo e da Baixa Saxônia (naquela época, a Alemanha ainda não tinha sido unificada).

O Ir\ Schröder gozava de grande prestígio, como Maçom e como profano (foi considerado, na época, “o maior ator que a Alemanha já teve”) e era reconhecido como um profundo conhecedor da História e dos Antigos Rituais da Maçonaria. Estudou, principalmente, os livros “As Três Batidas Diferentes na Porta da Mais Antiga Maçonaria – The Three Distinct Knocks at the Door of the Most Ancient Free-Masonry”, de autor desconhecido, sem dúvida o mais antigo manual maçônico impresso; e “Maçonaria Dissecada – Masonry Dissected”, de Samuel Prichard, que continha as práticas maçônicas utilizadas em Londres, em 1730. Examinou, também, os rituais dos diversos sistemas de graus complementares que proliferavam na Europa daqueles tempos. Suas pesquisas o levaram a abolir os chamados “altos graus”, bem como todo o ocultismo que dominava a Maçonaria Alemã, restaurando o Antigo Ritual Inglês, adaptando-o para a cultura e para o idioma germânicos seus contemporâneos. é devido a essa origem comum nos antigos rituais ingleses que o Rito de Schröder é semelhante ao Rito de York (Emulation Rite) sem, contudo, ser uma cópia do mesmo.

O Ir\ Schröder entendia a Maçonaria como uma união de virtudes e, não, uma sociedade esotérica. Por isso, enfatizou, no seu Ritual, o ensinamento de valores morais e a difusão do puro espírito humanístico, dentro do verdadeiro amor fraternal. Preservou a importância dos símbolos e resgatando o princípio que afirma ser “a verdadeira Maçonaria a dos Três Graus de Sãio João”.

O famoso historiador e maçom Findel, na sua História Geral da Franco-Maçonaria, dedica grandes elogios ao Ir\ Schröder, como podemos perceber nesta passagem: “Além de maior pureza de objetivos (comparando-se com os do Ir\ Fessler, que atuava em Berlim) em que se inspiraram seus trabalhos e investigações, sua natureza, sua forma e as circunstâncias exteriores o secundaram ainda mais eficazmente. Estava-lhe reservada a glória de fazer penetrar vitoriosamente a luz entre as trevas do erro, de dissipar as espessas nuvens que obscureciam os resplendores da verdade maçônica e de assentar bases sólidas para atividades de seus Irmãos”.

Pelo trabalho e exemplo, o Ir\ Schröder é venerado e respeitado hoje, como no passado, sendo homenageado pelas antigas Lojas Alemãs e por Lojas e Irmãos em todo o mundo.

O Rito de Schröder apresentou expressivo crescimento a partir de 1995, quando havia 14 Lojas no Brasil. Atribuímos esse crescimento à divulgação nos Seminários de 1995 e 1998 (RS) e 1999 (CE) bem como à fundação do Colégio de Estudos do Rito Schröder de Florianópolis, SC, em 1997. Este Colégio mantém contato com todas as Lojas Schröder do Brasil, buscando a sintonia com os ideais de Schröder e com os rituais da Loja Absalom N.º 1. Visa à uniformidade ritualística e de pensamento, em um trabalho de cooperação entre Lojas das diversas Obediências. Estas iniciativas estimulam muitos Irmãos, alguns mesmo sem deixar as suas Lojas Escocesas; outros, transferindo-se para Lojas Schröder para fundar novas Oficinas. Por utilizar um templo simples, com poucos paramentos e cargos, torna-se muito mais fácil trabalhar em uma Oficina Schröder. Tudo isso contribui para aumentar o número de Oficinas que adotam o Rito. Atento a este movimento, o G\O\B\ criou, em 1999, o cargo de Grande Secretário Geral de Orientação Ritualística – Adjunto para o Rito Schröder, não por acaso ocupado por um dos integrantes do Colégio de Estudos.

Alguns aspectos principais chama a atenção de todos os Irmãos que entram em contato com o Rito: a simplicidade da Liturgia que em nada diminui a sua beleza e profundidade; as palavras amáveis do Venerável Mestre ao iniciando e aos Irmãos; a valorização das qualidades morais do homem; o estímulo ao auto-conhecimento. Pela objetividade, os trabalhos litúrgicos permitem excelente dinâmica. Uma sessão econômica raramente ultrapassa uma hora e meia, tratando-se os assuntos administrativos (ata e expediente) e com a apresentação de trabalhos ou instruções. Já uma Sessão Magna de Iniciação de três profanos, cumprindo-se individualmente toda a ritualística, demora cerca de duas horas e meia.

Por esse motivo, o rito já atingiu o expressivo número de 38 Lojas, no Brasil, o que supera as 36 Oficinas da Alemanha e, temos a certeza, continuará crescendo, para Glória do Grande Arquiteto do Universo.

Os Rituais foram traduzidos dos originais revisados pela Loja Absalom das Três Urtigas N.º 1, em 1960. Essa Oficina, fundada em 1737, uma das mais antigas do mundo, é jurisdicionada à Grande Loja dos Maçons Antigos Livres e Aceitos da Alemanha. Outras informações podem ser obtidas junto à Loja Simbólica Concordia et Humanitas N.º 56 A/C da Comissão de Liturgia e Docência, Rua Ernesto da Fontoura 1144, Porto Alegre, RS, 90230-090, ou nos Rituais e Monitor do Rito de Schröder, homologados pela Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul. Também sugerimos uma visita à página do rito no endereço: http://www.fraternidade.org/concordia/rito.htm.


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