RITOS DE MÊMPHIS-MISRAÏM

RITOS DE MÊMPHIS-MISRAÏM
Compilada de publicações da Grande Loja do Brasil para o Rito Antigo e Primitivo de Mêmphis-Misraïm, Porto Alegre, RS.
Historicamente, esta Obediência Maçônica, que comemorou seu bicentenário em 1988, originou-se quando dois ritos - o de Mêmphis e o de Misraïm - foram fundidos em 1881, por Giuseppi Garibaldi, que se tornou o seu primeiro Grão-Mestre. O Rito de Misraïm tinha sido fundado em Veneza, em 1788. Sua filiação veio através de Cagliostro que lhe confiou o grau mais baixo (primeiro) da Grande Loja da Inglaterra e os mais altos da Maçonaria Templária alemã.
Este é o início.

O Rito de Memphis foi constituído em Montauban, em 1815, por maçons que tinham tomado parte na campanha do Egito, com Napoleão Bonaparte, em 1799. A esses dois ritos foram acrescentados graus iniciáticos que vieram de obediências esotéricas do Séc. XVIII: o Rito Primitivo, o Rito dos Philadelphos, etc.

Durante o Séc. XIX, os Carbonários recrutaram membros nas Lojas Misraïm e Memphis. Eles tinham numerosas lojas na França e alguns de seus dignitários foram pessoas influentes, como o Duque Decazeo e o Conde Muraire, ambos Grandes Comendadores do Rito Escocês.

Na França, a obediência é o local de encontro dos maçons que compartilham uma atração por esoterismo, hermeticismo, simbolismo, etc. Há cerca de 90 lojas, na França, sem contar as oficinas dos graus elevados. Nestas oficinas há algumas centenas de membros, entre os quais se encontram maçons de todas as obediências que são mais qualificados no campo do esoterismo. Alguns são, mesmo, membros da administração de outras organizações ainda mais secretas.

O Rito de Memphis-Misraïm perpetua a tradição de adesão aos princípios de tolerância e liberdade de pensamento, que o tornaram o refúgio e local de recrutamento dos Carbonários durante o Reino do Terror Branco, no Séc. XIX.



O RITO DE MISRAÏM



A primeira menção ao Rito ocorreu em Veneza, em 1788, quando um grupo de socinianos (uma seita Protestante antitrinitarista), solicitou a patente de uma constituição a Cagliostro, que estava, então, em Trieste (ele veio a Veneza e ficou por seis semanas). Eles não queriam participar dos seus rituais mágico-cabalísticos; por isso, eles escolheram o Rito Templário para trabalhar.

Portanto, Cagliostro conferiu-lhes sua única Luz Maçônica. Ele tinha os primeiros três graus da Maçonaria Inglesa e os graus superiores da Maçonaria Alemã, que era fortemente influenciada pela tradição templária. O nome Misraïm é o plural de egípcio, que é a única reminiscência deste rito egípcio que deu sua personalidade como obediência. Ele se espalhou rapidamente para Milão, Gênova, Nápoles e apareceu na França, com Michel Bedarride, que recebera o Grão Mestrado (poderes máximos) em 1810, em Nápoles, de B. DeLasalle. De 1810 a 1813, os três irmãos Bedarride desenvolveram com sucesso o rito na França, quase sob a proteção do Rito Escocês. Realmente, ele contou com ilustres maçons na sua administração: o Conde de Muraire, Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito; o Duque de Decazeo; o Duque de Saxe-Weimar; o Duque de Leicester; o Tenente-General de Teste, etc.

Durante o Reino do Terror Branco, o Rito de Misraïm se tornou a obediência que transmitia o terceiro grau exigido aos Carbonários e esse grupo tinha, então, 22 lojas em Paris, 6 em Lion, 6 em Metz, 5 em Toulouse, 3 em Bordeaux, 3 em Genebra, 3 em Lausane e 1 em Couriray. A polícia da restauração conseguiu a sua dissolução porque ele era anticlerical e anti-realeza ferrenho. Depois de estar na clandestinidade por 18 anos, ele foi restaurado em 1838 e novamente dissolvido em 1841. Novamente emergindo dos subterrâneos em 1848, o Rito de Misraïm evoluiu até fundir-se com o Rito de Memphis, em 1881, o que foi uma realização de Garibaldi.



O Rito de Mêmphis



A maioria dos membros que acompanharam Napoleão Bonaparte na Campanha do Egito eram maçons pertencentes aos antigos ritos iniciáticos: Philaletes, Irmãos Africanos, o Rito Primitivo, e todos eram maçons do Grande Oriente de França. Tendo descoberto, no Cairo, um remanescente hermético-gnóstico e, no Líbano, a Maçonaria Drusa, que Gérard de Nerval também havia encontrado, e que remontavam à maçonaria operativa que acompanhou seus protetores, os Templários, os Irmãos da Campanha do Egito decidiram renunciar à sua filiação à Grande Loja da Inglaterra e recomeçar com um novo rito que nada ficaria a dever à Inglaterra, que era, à época, o inimigo número 1. Assim nasceu o Rito de Memphis, em 1815, em Montauban, sob a direção de Samuel Harris e Marconis de Négre.



Quando o Rito de Misraïm reagrupou os Jacobitas, que estavam nostálgicos da República, e os Carbonários, o Rito de Memphis reagrupou, rapidamente, os semi-retirados do ex- grande exército e os bonapartistas fiéis à Águia. Além disso, os dois ritos tinham o mesmo Grão Mestre, em 1816, um prelúdio à futura fusão. Mas o Grande Oriente era monarquista na sua maioria, o seu selo ostentava a Flor-de-Lis e teve sucesso na dissolução do Rito de Memphis. Entretanto, isso não durou muito e, em 1826 este rito retomou seu trabalho novamente, dentro do mesmo Grande Oriente. Dissolvido em 1841, tal como o de Misraïm, o Rito de Memphis se tornou clandestino e voltou dos subterrâneos apenas em 1848, com o advento da república. Dissolvido novamente em 1850, foi reativado em 1853, unindo-se ao Grande Oriente em 1862, obrigado a isso por uma decisão do Príncipe-Presidente. Com numerosas lojas no exterior, ele tinha pessoas ilustres em seus quadros, tais como Louis Blanc e Garibaldi, que logo se tornaria o unificador dos ritos de Memphis e Misraïm.



O Rito de Memphis-Misraïm



Os ritos de Memphis e Misraïm, até 1881, seguiram caminhos paralelos e até concordantes, no mesmo clima particular. De fato, ambos os ritos começaram a reagrupar maçons do Grande Oriente de França e do Rito Escocês Antigo e Aceito que estavam interessados em estudos do simbolismo esotérico maçônico: Gnose, Cabala e, até mesmo, hermetismo e ocultismo. Agora, esses dois ritos herdaram eram os depositários das antigas obediências iniciáticas do Séc XVIII: o rito de Philatenes, o Rito de Philadelphia, o Rito Primitivo etc., e tudo isso representado, no Rito de Misraïm, por 90 graus e, no de Memphis, por 95 graus. Como administrar e utilizar esse conjunto tão heterogêneo? Quando Garibaldi foi indicado como Grão Mestre Internacional ad vitam (os irmãos no exterior não haviam sofrido perseguições políticas como as que ocorreram na França), foi feita uma espécie de classificação não-hierárquica, a princípio, mas que rapidamente assim se tornou. De fato, os 95 graus do Rito de Memphis-Misraïm deveriam ser considerados um ambulatório dos restosdos velhos ritos maçônicos que não eram mais praticados ou o eram muito pouco, e não como uma escala de valores. Além disso, os acordos de 1863, com o Grande Oriente de França e de 1886, com a Grande Loja do Rito Escocês, que se tornaria a Grande Loja da França, falam, apenas, dos clássicos 33 graus (Ritos de Perfeição, seguidos pelo Rito Escocês Antigo e Aceito).

As Oficinas dos graus mais elevados do Rito de Memphis-Misraïm devem trabalhar: o 4.º Grau (Mestre Secreto); o 9.º Grau (Mestre Eleito dos Nove); o 13.º Grau (Real Arco); o 14.º Grau (Grande Eleito da Sagrada Abóbada); 0 18.º Grau (Cavaleiro Rosa-Cruz); o 28.º Grau (Cavaleiro do Sol); o 30.º Grau (Cavaleiro de Kadosh); o 32.º Grau (Príncipe do Real Segredo) e o 33.º Grau (Soberano Grande Inspetor Geral). O 66.º Grau (Patriarca Grande Consagrador) somente é conferido a alguns Irmãos que poderiam ser convocados como Consagradores, e uma certa preparação é exigida. Alguns o compararam a uma Consagração Episcopal. Os Graus 87, 88, 89 e 90 englobam o que os livros mencionam como Arcana Arcanorum (os Arcanos dos Arcanos). Os que são admitidos até o Grau 95 se convertem em protetores e conservadores do Rito, como o seu nome indica: Patriarca Grande conservador. É entre eles que o Grão Mestre Internacional escolhe os membros que servirão no Soberano Santuário Internacional, corpo giovernante supremo do Rito.

Além disso, os graus 66, 90 e 95 podem ser conferidos a Maçons como recompensa pelo seu valor, seus conhecimentos e sua fidelidade; o Grau 95 lhes confere o direito de ter assento no Conselho de Sábios, na sua qualidade de Grande Conservador do Rito.

Outros graus, tais como o Real Arco, não são obrigatórios e são deixados à escolha dos Irmãos. A sagração como cavaleiro é transmitida a alguns Irmãos com o Grau 20 (Cavaleiro Templário ou Cavaleiro do Templo), derivados diretamente da Antiga e Estrita Observância Templária e dos Cavaleiros Beneficentes da Cidade Sagrada de Jean-Baptiste Willermoz.

As lojas do Rito de Memphis-Misraïm trabalham no Rito Egípcio. Sobre os seus altares, eles acrescentam, ao compasso e esquadro, a régua, símbolo do Grande Arquiteto do Universo e da Divina Lei. Esse rito deu origem ao chamado rito Francês ou Moderno, também utilizado em algumas lojas do rito Mênphis-Misraïm.

Desde março de 1960, o Presidente do Conselho Nacional eleito assegura a administração de todas as lojas azuis do rito, na França e nos países associados. Em 10 de maio de 1991, a obediência francesa foi admitida no C.L.I.P.S.A.S. (Centre of Liaison and Information of the Masonic Powers – Centro de Ligação e Informação das Potências Maçônicas, signatária da reunião de Estrasburgo), registrando, desta forma, a sua ação ao lado da maçonaria liberal européia.

O Rito de Memphis-Misraïm perpetua a sua tradição de fidelidade aos princípios democráticos a às ciências iniciáticas.

O Rito de Memphis-Misraïm foi trazido ao Brasil em 1989 e se foi estruturando até completar a sua pirâmide em 1996. Ele trabalha como potência independente, em nível nacional e está ligado aos outros países por uma Coordenação Internacional. A Grande Loja Simbólica do Brasil reune lojas masculinas, femininas e mistas. Ela se filia ao Soberano Santuário do Brasil, que é a potência para todos os graus filosóficos, herméticos e esotéricos. O nome completo do rito é Rito Antigo e Primitivo Memphis-Misraïm. Seus graus são: simbólicos, do 1.º ao 3.º (aprendiz, companheiro e mestre); filosóficos, do 4.º ao 33.º; e herméticos ou esotéricos, do 34.º ao 95.º.


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RITO DE HEREDOM OU DE PERFEIÇÃO

RITO DE HEREDOM OU DE PERFEIÇÃO
 Transcrição do verbete RITO DE HEREDOM ou DE PERFEIÇÃO, in DICIONÁRIO DE MAÇONARIA, Joaquim Gervásio de Figueiredo, Ed. Pensamento, São Paulo, 4.ª edição
Em 1758, um grupo de irmãos de altos graus inaugurou, em Paris, um Capítulo de Soberanos Príncipes Maçons, sob o título de Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém. Seus membros, intitulando-se Poderosos Mestres do Grande Conselho das Lojas Regulares".
Este é o início.
Eram, em sua maioria, homens descendentes da nobreza, de alta cultura e conhecedores das tradições místicas e gnósticas oriundas de longínquo passado. Herdaram não só os ritos de Clermont e as correntes escocesas de Kilwinning e de Heredom, mas, também, as tradições derivadas diretamente de fontes templárias e rosacrucianas e os poderes do rito egípcio. Não obstante seus profundos conhecimentos, eram, no entanto, homens eivados de muito orgulho, como soia acontecer com tantos nobres do "antigo regime"; e eles foram os criadores do Rito de Heredom ou de Perfeição, com 25 graus, cuja nomenclatura adotada foi a seguinte:
Classes Graus Denominação
1.ª
1
Aprendiz

2 Companheiro
3.ª Mestre
2.ª
4
Mestre Secreto

5 Mestre Perfeito

6 Soberano Íntimo

7 Intendente dos Edifícios

8 Preboste e Juiz

3.ª
9
Mestre Eleito dos Nove

10 Mestre Eleito dos Quinze
11 Ilustre eleito Chefe das Doze Tribos
4.ª 12
Grão-Mestre Arquiteto

13 Cavaleiro do Real Arco
14 Grande Eleito Antigo Mestre Perfeito
5.ª 15
Cavaleiro do Oriente e do Ocidente

16 Cavaleiro Rosa-Cruz
17 Grande Pontífice ou Mestre Ad Vitam
6.ª 18
Grande Patriarca Noaquita

19 Grão-Mestre da Chave da Maçonaria
20 Príncipe do Líbano Grande Cavaleiro do Real Arco
21 Cavaleiro do Sol Príncipe Adepto
7.ª
22
Chefe do Grande Consistório

23 Ilustre Cavaleiro Grande Comendador da Águia Branca e Negra
24 Ilustríssimo Soberano Príncipe da Maçonaria
25 Grande Cavaleiro SublimeComendador do Real Segredo


Em 1762, sob os auspícios do mesmo Conselho, foram publicados os Regulamentos e Constituições da Maçonaria de Perfeição e, em 25 de outubro desse mesmo ano, foi, a sua classificação de graus, ratificada em Berlim. Esses graus, cujos títulos não sofreram modificações desde 1762, foram, depois, adotados pelas Grandes Constituições de 1.º de maio de 1786, que fixaram definitivamente as bases do Rito Escocês Antigo e Aceito, de 33 graus, formalmente adotado pelo Supremo Conselho Mundial de Charleston, VA, EUA, em 31 de maio de 1801.

Muitos escritores maçônicos, apologistas da diminuição do número de graus ou da reforma simplificadores de 1717 de que resultou a expansão da Maçonaria Especulativa, têm criticado acerbamente as reformas inclusivistas de 1758 e 1786, pela multiplicidade dos graus adotados. No entanto, deve-se ter em vista que grande número de lojas maçônicas, dentro e fora da Inglaterra, nunca havia aceito a reforma de 1717 que, conseqüentemente, foi, progressivamente, aumentando seu número de graus que, de dois primeiros, só concedíveis pela Grande Loja, passaram para três, em 1725, concedíveis pelo Venerável da cada Loja, com a aprovação dos Vigilantes e da maioria dos irmãos Mestres, e para quatro, em 1813, com o acréscimo do grau Santo Real Arco aos três simbólicos, como conseqüência da união operada entre os maçons "antigos", de York e os "modernos", de 1717, de que resultou a constituição da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Além do mais, os reformadores de 1717 parece terem tido um plano mais modesto, circunscrito às ilhas britânicas, ao passo que os de 1758 visaram, nitidamente, a uma reestruturação maçônica em escala mundial. Eis o preâmbulo de seu plano de reforma:

Com o decurso dos tempos, a Maçonaria e a unidade de seu regime primitivo sofreram grandes alterações, por efeito das catástrofes e das revoluções que as subverteram, mudaram alternativamente a face do mundo e dispersaram os maçons pelos diversos pontos do globo... Essa dispersão operou as divisões que existem hoje, sob o nome de Ritos e cujo conjunto compõe a Ordem. Mas outras divisões, saídas do seio dessas primeiras, deram lugar a novas associações, das quais um grande número só tem, de comum com a Maçonaria, o nome e algumas formas conservadas por seus fundadores para encobrir seus secretos desígnios. As perturbações que essas novas associações trouxeram e, muitas vezes, mantiveram na Ordem, são conhecidas e não fizeram mais do que expô-la a suspeitas, à desconfiança de quase todos os chefes de governo e, mesmo, às perseguições de alguns.

Os esforços dos Maçons virtuosos conseguiram acalmar tais perturbações, e todos os seus votos são por uma medida geral que previna a sua reprodução e consolide a Ordem, restituindo-lhe a unidade de sua direção, da sua organização primitiva e de sua antiga disciplina. As novas e vivas representações que nos têm sido dirigidas de todas as partes nos demonstram a urgência que há em opor um poderoso dique aos progressos do espírito de intolerância, de seita, de cismas e de anarquia, que inovadores recentes se esforçam por introduzir entre os irmãos, com intuitos mais ou menos restritos, irrefletidos ou censuráveis, e apresentados sob formas especiosas, capazes de desviar a verdadeira Maçonaria de seus objetivos, desnaturando-a.

Por conseguinte, adotando para a base de nossa reforma o título do primeiro desses ritos (Heredom) e o número de graus hierárquicos do último (Perfeição), nós os declaramos todos unidos e aglomerados desde esta data, numa só Ordem que, professando o dogma e as doutrinas puras da Maçonaria primitiva, abrangerá todos os sistemas do Escocismo, sob o título de Rito Escocês Antigo e Aceito.



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O RITO DE YORK

Segundo Sebastião Dodel dos Santos, o Rito de York (ou Iorque) ter-se-ia originado em 1743, na Irlanda, conforme um relatório da Loja de Youghal, que menciona o simbolismo do grau do Santo Real Arco. Daí, o outro nome pelo qual ele é conhecido: Rito do Real Arco. O Rito foi levado a Londres em 1777, estabelecendo-as, aí, o Grande Capítulo do Real Arco, posteriormente chamado de Rito dos Antigos Maçons e, mais tarde, Rito de York.

O Rito de York é composto de quatro graus filosóficos: Past Master, Mark Master, Super-Excellent Mason e Holy Royal Arch. Um Mestre Maçom que tenha aderido a um Capítulo de Maçons do Arco Real, recebido os quatro graus desta organização poderá, depois disso, procurar mais conhecimentos na Maçonaria se for admitido num Conselho de Maçons Crípticos. Os Conselhos de Maçons Crípticos formam o corpo central do Rito de York da Maçonaria Livre.

O RITO CRÍPTICO

Nenhum Rito da Maçonaria Livre conseguiu ser tão bem sucedido nos últimos anos como o conjunto de graus conhecidos como o Rito Críptico. O crescimento atingido tem sido importante de tal forma que um em cada dois Maçons do Arco Real é Maçom Críptico. A sua popularidade é bem merecida porque não existem graus mais belos e significativos em toda a Maçonaria Livre do que os conferidos num Conselho de Maçons Crípticos.

A Maçonaria Livre é muito filosófica e ensina os seus ideais através de alegorias ou histórias. Esta filosofia é moralista e religiosa. Contudo, a Maçonaria Livre não é uma religião, ou um seu substituto. Um requisito para ser membro da Maçonaria Livre é a crença declarada em Deus e na vida eterna. É imperativo que o candidato professe pessoalmente uma fé num Ser Supremo antes de tornar-se Maçom Livre. A Maçonaria Livre nunca tenta alterar as crenças de cada um. A Maçonaria Livre não oferece uma teologia ou plano de salvação. Contudo, oferece um plano moral para ser aplicado neste mundo. Deixa ao Maçom a faculdade de tratar da sua salvação na próxima vida através da sua própria religião.

Uma das razões para a popularidade dos Graus Crípticos é porque completam a história da alegoria maçônica. A "Palavra" representa na alegoria maçônica a busca pelo homem de objetivos para a vida e para a natureza de Deus. Simbolicamente, a Maçonaria Livre ensina, na Loja, como a Palavra se perdeu e sobre a esperança da sua recuperação. O Arco Real, no Capítulo, ensina como ela foi redescoberta. A Maçonaria Críptica, no Conselho, completa esta história ensinando como se preserva a Palavra inicial.

ORIGEM DOS GRAUS

Tal como em muitos dos graus maçônicos, as origens dos graus crípticos estão cobertas de mistério.

Há cerca de 200 anos surgiram os graus de Mestre Real e Mestre Escolhido (chamados graus da Preservação) como se surgissem de lado nenhum. Leitores maçons, viajantes através do Leste Estados Unidos, conferiram-nos a outros Maçons, enquanto empenhados na instrução dos obreiros da Loja e dos Companheiros do Capítulo. Até o Supremo Conselho do Rito Escocês incluiu o grau de Mestre Escolhido como um dos seus graus "separados". Mas estes belos graus não permaneceram separados por muito tempo. No Estado de Connecticut, EUA, nasceu o primeiro Grande Conselho em 1819. Na Virginia e na Virginia Ocidental, os graus foram desenvolvidos nos Capítulos do Arco Real, sob cuja autoridade ainda permanecem. Nos anos de 1870 foi criado nos, Estados Unidos, um Grande Conselho Geral. Hoje, este Grande Conselho conta, como associados, com a maioria dos Grandes Capítulos dos Estados Unidos, bem como os da parte ocidental do Canadá e outros Estados fora do Continente americano.

Os "Shriners" (Ancient Order Nobles of the Mystic Shrine) requerem que os seus membros sejam Cavaleiros Templários (Rito de York) ou Maçons do 32º (Rito Escocês). Até há poucos anos atrás, a Maçonaria Críptica não constituía requisito para ser membro dos Shriners ou duma Comenda de Cavaleiros Templários. Contudo, nos anos mais recentes um grande número de Grandes Comendas de Cavaleiros Templários tornaram os graus Crípticos um pré-requisito para as Ordens do Templo. Tornaram-se, assim, conseqüentemente um pré-requisito do Rito de York para o Shrine. Parece existir uma tendência crescente para que esta política seja adotada por um número crescente de Comendas nos próximos anos.

A ABÓBADA E OS MISTÉRIOS

Todos os estudiosos da Bíblia e os arqueólogos conhecem as abóbadas ou crípticas sob o Templo do Rei Salomão. Duvidamos que os Graus Maçônicos tenham sido conferidos naquelas abóbadas. Contudo, tal lenda continua a persistir através da Maçonaria Livre.

O autor maçônico, Albert G. Mackey, escrevendo acerca da abóbada diz: " A Abóbada era, então, nos antigos mistérios símbolo de sepultura; para a iniciação era símbolo de morte, onde só a Divina Verdade pode ser encontrada. A Maçonaria livre adotou a mesma idéia. Ensinam que a morte é apenas o princípio da Vida; que se o primeiro, ou o templo evanescente da nossa vida transitória está à superfície, devemos descer à abóbada secreta da morte antes de encontrarmos a sagrada jazida da Verdade que adorna o nosso segundo Templo da Vida Eterna". Este ensinamento não é invulgar na Maçonaria Livre visto que os requisitos prévios para a iniciação incluem que se professe a crença em Deus e na vida eterna.

O USO DO NOME CRÍPTICO

Os graus do Rito de York são classificados em Simbólicos (Loja de Mestres Maçons). Capitulares (Capítulo de Maçons do Arco Real), Crípticos (Conselho de Maçons Crípticos), e Cavalheirescos (Comenda Templária). O Rito Críptico tem o seu nome derivado da palavra Críptica porque a cena dos graus de Mestre Real e Mestre Escolhido ocorre na Críptica subterrânea sob o Templo do Rei Salomão. A palavra críptica significa escondido, daqui a sua utilização na descrição destes graus. O último grau do Rito Críptico não é críptico porque não cumpre o requisito da cena se desenrolar na abóbada. Deve ser considerado como um grau apêndice do Rito Críptico que não possui conexão quer histórica ou simbólica com os de Mestre Real e Mestre Seleto, como veremos à frente.

No Rito de York podemos distinguir as seguintes partes integrantes: As Lojas Simbólicas (também chamadas de S. João ou azuis, (cor que embeleza os respectivos aventais no Rito de York) que são governadas por Grandes Lojas; os Capítulos que estão subordinados a Grandes Capítulos de Maçons do Arco Real; os Conselhos de Mestres Reais e Seletos, os quais são controlados por Grandes Conselhos de Maçons Crípticos; e as Comendas de Cavaleiros Templários que são governadas por Grandes Comendas.


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Observações do Irm\ Joaquim da Silva Pires, Or\ de São Paulo, SP

(Excertos da revista A Trolha)

Em verdade, "Rito de York" é um sistema norte-americano (que a Maçonaria do Brasil não adota, por enquanto!) e que é dividida em quatro partes, em consonância com persuasivo ensinamento proveniente do "Educational Bureau General Grand Chapter, R. A. M.", de Lexington, Kentucky, Estados Unidos da América, a saber:

Primeira Parte (Lojas Azuis): Aprendiz (nº 1), Companheiro (nº 2) e Mestre (nº 3);

Segunda parte (Capítulos do Real Arco): Mestre de Marca (nº 4), Mestre Passado (nº 5), Mestre Distinto (nº 6) e Maçom do Real Arco (nº 7);

Terceira parte (Conselho de Mestres Reais e Eleitos): Mestre Real (nº 8), Mestre Eleito (nº 9) e Maçom do Real Arco (nº 10);

Quarta parte (Conselho de Cavaleiros Templários): Ordem da Cruz Vermelha (nº 11), Ordem de Malta (nº 12) e Ordem do Templo (nº 13).


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UM GRANDE ERRO

(excerto transmitido ao autor por um Irmão de uma Loja do Ceará)

A descoberta mais recente de um erro fantasticamente grande, mas que todos nós estamos fazendo de conta que não sabemos, foi feita recentemente pelo nosso Irmão Joaquim da Silva Pires. Trata-se do Suposto Rito de York, que é teimosamente omitido pela grande maioria dos nossos autores em seus escritos, e também das nossas autoridades, visto que, por essa descoberta, todas as Constituições, Regulamentos e Rituais que mencionem o nome Rito de York, aqui no Brasil, como se fosse o Rito praticado na Inglaterra, incontestavelmente devem ser corrigidos para Cerimônias Exatas do Ritual de Emulação. Na verdade, esse erro provou que os nossos melhores autores (e nós também), por muitos anos, "comemos bola", porque não sabíamos e continuamos errando, já agora mesmo sabendo, eis que, viciados com o nome York, não conseguimos dele nos livrar. A exemplo destas verdades de agora, existem ainda muitas outras para serem mostradas pela visão da vertente anglo-saxônica.

De fato, sem quaisquer suspeições, não se pode negar que, em nosso País, a vertente francesa é muito mais conhecida. Por isso, aos que pretendem criar, no Brasil, um "Rito de Emulação" (em lugar de "Rito de York"), é necessário acrescentar que, na Inglaterra, "Emulation" não é nome de um Rito. É o nome de um Ritual, onde está contido um Rito inominado (Obs: esse rito – Emulation Ritual, destinava-se, tão somente, ao Grau de Mestre, com a finalidade de preservação das práticas ritualísticas). Aliás, o "Emulation", apesar de sua prevalência, não é o único Ritual usado pelos ingleses. Há, também, o "Bristol", o "Stability", o "Muggeridge", o "Claret" e outros, entre os quais o "York Working", que, entretanto, é um sistema exclusivo da "York Lodge nº 236", sem o mais remoto liame com aquele que, no Brasil, recebeu o desacertado nome de "Rito de York".

A "United Grand Lodge of England" confere apenas os denominados Graus Simbólicos, vale dizer, Aprendiz ("Apprentice"), Companheiro ("Fellow Craft") e Mestre Maçom ("Master Mason"). Se assim é, como se explica (perguntarão os Respeitáveis Irmãos Leitores) a existência de Capítulos ("Chapters") do Sagrado Arco Real ("Holy Royal Arch")? Não se trata (responde este articulista) de um quarto Grau, mas, sim, indubitavelmente, de uma indispensável extensão do Grau de Mestre.

Na vertente francesa, o Grau de Mestre não se completa dentro dos denominados Graus Simbólicos, pois há uma então ignorada palavra perdida, que só é descoberta em um dos denominados Graus Filosóficos. O sistema inglês é diferente. Quando os Mestres recebem a extensão caracterizadora do "Sagrado Arco Real" (no respectivo Capítulo), transmite-se-lhes a almejada palavra. Essa transmissão faz com que, verdadeiramente, fique completo o Terceiro Grau ("Third Degree").

Aqui, no Brasil, foram fundados vários Capítulos do Arco Real (não confundi-los com os Capítulos da vertente francesa, onde são ministrados só os chamados Graus Filosóficos a ele pertinentes, e nunca os chamados Graus Simbólicos). Os dois primeiros foram o "Silver Jubilee", em São Paulo - SP, de 7 de agosto de 1935, e o "Guanabara", no Rio de Janeiro, de 6 de novembro de 1935. São mais novos o "Wanderer’s", em Santos, de 6 de fevereiro de 1952, "Centenary", em São Paulo - SP, de 3 de novembro de 1954, "Campos Salles", em São Paulo - SP, de 31 de julho de 1957 (instalado em 16 de novembro de 1957) e "Royal Edward", no Rio de Janeiro, de 5 de maio de 1954. Todos esses Capítulos nasceram e continuaram, sempre, subordinados, diretamente, à "United Grand Lodge of England". Os Rituais ingleses são excelentes. Existe uma boa tradução, em português, elaborada em 1970 e impressa em 1971 pelo "Campos Salles Chapter", de São Paulo - SP, com a denominação de "Ritual Dogmático das Cerimônias do Sagrado Arco Real, incluindo as Instalações dos Três Principais". Quem não conhecer o sistema inglês, não saberá o que significam os "Três Principais".

Sem prejuízo de seu ingresso e de sua permanência em um dos Capítulos do Sagrado Arco Real, o Mestre Maçom poderá pleitear seu ingresso na Maçonaria de Marcas ("Mark Masonry"), que não está subordinada à "United Grand Lodge of England". Essa Maçonaria nasceu na Escócia e foi adotada pelos ingleses, que, em 17 de novembro de 1851, devidamente autorizados pelos escoceses do "Bon Accord Mark Chapter", fundaram a "London Bon Accord Mark Lodge". Mais tarde, em 23 de junho de 1856, foi fundada a "Grand Lodge of Mark Master Masons" (Grande Loja de Mestres Maçons de Marcas) e, vinte e dois anos depois, a "Grand Lodge of Mark Master Masons of England and Wales and Dominions of the Crown" (Grande Loja de Mestres Maçons de Marcas da Inglaterra e Gales e Domínios da Coroa).

No Brasil, também existem Lojas de Marcas, que, tanto quanto as inglesas (de Marcas), não estão subordinadas à "United Grand Lodge of England". Essas Lojas são a "Saint Paul’s", de São Paulo - SP, fundada em 26 de agosto de 1936, "Wanderer’s", de Santos, fundada em 27 de setembro de 1949, "Guanabara", do Rio de Janeiro, fundada em 18 de junho de 1951, e "Campos Salles", de São Paulo - SP, fundada em 1º de janeiro de 1969.

Há uma extensão denominada "Royal Ark Mariners" (Nautas do Real Arco). Essa extensão é muito praticada na Inglaterra, em várias e várias Lojas (específicas), sem subordinação à "United Grand Lodge of England". Igualmente sem subordinação, existem, no Brasil, duas Lojas de Nautas do Real Arco, a "Saint Paul’s", de São Paulo - SP, fundada em 5 de abril de 1951, e a "Guanabara", do Rio de Janeiro, fundada em 4 de junho de 1953.

Ainda mais, existem na Inglaterra, os "Knights of Malta" (Cavaleiros de Malta) e os "Knights Templars" (Cavaleiros Templários), sem vinculação com a "United Grand Lodge of England" e sem vinculação com a "Grand Lodge of Mark Master Masons of England and Wales and Dominions of the Crown".

No Brasil, não funcionam quaisquer Corpos dos Cavaleiros de Malta. Porém, quanto aos Cavaleiros Templários, é importante esclarecer que os ingleses consagraram uma Preceptoria em Buenos Aires, no ano de 1968, e que os argentinos consagraram, no ano de 1969, uma "Crux Meridionalis" (Cruz Meridional*) em São Paulo - SP, então com vinte e quatro membros (entre os quais sete honorários), na Rua São Luís, nº 1.231, no bairro de Santo Amaro. É evidente que os Respeitáveis Irmãos Leitores não confundirão os Cavaleiros de Malta e os Cavaleiros Templários, da Maçonaria, com duas sociedades homônimas, profanas, que, pela via postal, fazem vistoso proselitismo.

*Ou Cruzeiro do Sul


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MAÇONARIA ADONHIRAMITA

O mais antigo documento conhecido referindo-se ao mestre arquiteto do Templo sob a denominação de Adonhiram é o Cathécisme des Francs Maçons ou Le Secret des Francs Maçons (Catecismo dos Franco-Maçons ou O Segredo dos Franco-Maçons), editado em 1744, de autoria, possivelmente, um abade, cujo nome seria Leonardo Gabanon. Em 1730, nasceu o Théodore de Tschoudy, considerado o organizador da segunda parte da obra Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite (Compilação Preciosa da Maçonaria Adorinamita), cuja primeira edição ocorreu em 1787. O Barão Tschoudy foi membro do parlamento de sua cidade natal, Metz, França, onde residiu de 1756 a 1765.


Maçom entusiasta e estudioso, Tschoudy utilizou seu aguçado espírito crítico para bater-se contra a proliferação desordenada dos altos graus do Rito de Heredon, do qual derivariam alguns dos ritos atuais, como o escocês, o moderno e o Adonhiramita. Inicialmente, Tschoudy se propôs a reformar os graus então existentes, reduzindo-os a quinze e depurando-os de tudo o que não fosse fiel à tradição maçônica. Em 1766, Tschoudy publicou L'Étoile Flamboyante ou La Société des Francs-Maçons (a Estrela Flamígera ou A Sociedade dos Franco-Maçons), obra em que propôs a criação de uma nova Ordem de altos graus, a Ordem da Estrela Flamígera, com três graus: Cavaleiro de Santo André, Cavaleiro da Palestina e Filósofo Desconhecido. Desentendendo-se com os membros do novo Conselho, dedicou-se ao já citado Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite.

Alguns autores, porém, atribuem a autoria da Compilação a Louis Guillemain Saint-Vitor. Esta interpretação foi feita por Ragon, que citou este último autor em seu ritual de mestre, na bibliografia nele mencionada. A confusão se deve à divisão da obra em duas partes, de estilos totalmente diferentes, sendo, a primeira, pródiga em notas e explicações, enquanto a segunda é lacônica e breve. Deduzem, os estudiosos, que a primeira parte foi escrita por Saint-Vitor e a segunda, por Tschoudy, em data anterior àquela.

A Compilação, aceita-se hoje, foi publicada em dois volumes, em 1787, incluindo os graus simbólicos, graças a Saint-Vitor, que os escreveu pouco antes da publicação, ou seja, quase vinte anos depois da morte de Tschoudy. A primeira parte da Compilação era relativa aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. A segunda, compreendia os graus de perfeição: Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove, Segundo Eleito Nomeado de Pérignan, Terceiro Eleito Nomeado eleito dos Quinze, Pequeno Arquiteto, Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês, Mestre Escocês, Cavaleiro da Espada Nomeado Cavaleiro do Oriente ou da Águia, Cavaleiro Rosa Cruz e O Noaquita ou Cavaleiro Prussiano.

Na Europa, o Rito Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal, difundindo-se nas colônias e sendo o preferido da armada napoleônica. Com a difusão do Rito Francês ou Moderno, o Rito Adonhiramita começou a ser abandonado, restringindo a sua prática ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe. Graças a isso, o Rito manteve a sua pureza original e não sofrendo as influências do teosofismo, ocorrida com os outros ritos no final do século XIX.

Em Portugal, a primeira Loja Maçônica se instalou em 1727, sendo regularizada pela Grande Loja de Londres em 1735, denominada Hereges Mercantes. Na Loja de Coimbra, fundada em 1773, encontravam-se os brasileiros Antônio de Morais Silva, Antônio Pereira de Souza Caldas, Francisco de Melo Franco e Joaquim José Cavalcanti. Igualmente, em outras lojas, em Lisboa e no Funchal, existiam irmãos brasileiros.

Em 18 de fevereiro de 1722, foi inaugurada a Academia Científica, fundada no ano anterior, com o apoio do então Vice-Rei D. Luiz de Almeida Soares Eça, Marquês de Lavradio. Em 6 de junho, adota o nome de Sociedade Literária Rio de Janeiro, funcionando até 1790, quando a devassa da Inconfidência Mineira suspendeu os seus trabalhos. Essa Academia é tida, hoje, como uma loja maçônica disfarçada, como sugerem alguns textos posteriores como o que se segue, de autoria do Barão de Rio Branco, em Efemérides Brasileiras:

"Uma divisão naval francesa, comandada pelo Capitão Landolphe, tendo cruzado alguns dias perto da barra do Rio de Janeiro, fez algumas presas e segui, nesta data, para o Norte. Na altura de Porto Seguro, encontrou-se com a esquadra do comodoro inglês Rowley Bulteel, e no combate renderam-se duas fragatas francesas. Os prisioneiros foram entregues no Rio de Janeiro, ao Vice-Rei, Conde de Resende. Refere o Comandante Landolphe, que foi bem tratado, porque era pedreiro-livre. Um dos filhos do vice-rei levou-o a uma festa maçônica - introduzindo-o no recinto do templo - diz ele em suas memórias, ouvi, com muito prazer, o discurso do venerável..."

Outro fato importante, que poucas obediências de outros países possuem, é o manifesto, como prova de regularidade de origem da Maçonaria Brasileira, através de uma Loja Adonhiramita - A Loja Reunião - que se subordinava ao Grande Oriente de França. Em 1815, foi fundada a Loja Comércio e Artes que, com a divisão do seu quadro, formou outras duas: a Loja União e Tranqüilidade e a Loja Esperança de Niterói. Essas lojas adonhiramitas fundaram, em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil.

Em 1839, a Constituição do Grande Oriente do Brasil criou o Colégio dos Ritos, incluindo o Rito Adonhiramita. Em 1851, foi criado o Colégio dos Ritos Azuis e em 1873, o Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas, também pelo Grande Oriente do Brasil. Após a separação da Maçonaria Brasileira, os graus simbólicos ficaram com o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos. Em 2 de junho de 1973, o Mui Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil instituiu os graus de Kadosh e aumentou o número de graus para trinta e três. A partir dessa data, o governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita ficou a cargo do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita.

O Rito Adonhiramita é o segundo mais praticado no Brasil, com especial concentração nos Estados de São Paulo e Pará. Atualmente, ele é reconhecido pelas potências maçônicas regulares, participantes da Confederação Maçônica Interamericana.


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RITO DE SCHRÖDER

(Livre transcrição de artigo publicado na revista Theorema, Ano 4, N.º 19, da Loja Pitágoras II, Or de Brasília, DF)
Os Rituais de Schröder (pronuncia-se Chrœder) foram aprovados em 1801, pela Assembléia dos Veneráveis Mestres da Grande Loja de Hamburgo, Alemanha, sendo praticado por alemães e seus descendentes, em diversos países. No Brasil, com a colonização germânica no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o rito estabeleceu-se, inicialmente, no idioma alemão. Mais tarde, foi traduzido para o Português e, hoje, é reconhecido pelas Grandes Lojas Estaduais - CMSB, pelo G\O\B\ e pelos Grandes Orientes Estaduais Independentes – COMAB.

Os Rituais foram elaborados por uma Comissão presidida pelo Irmão FRIEDRICH LUDWIG SCHRÖDER, nascido em 3 de novembro de 1744 e falecido em 3 de setembro de 1816. Iniciado em 1744 no Rito da Estrita Observância, em 1785 foi eleito V\M\ de sua Loja-Mãe, a Emanuel Zur Maienblume, ficando no cargo até 1799. Entre 1794 e 1814, foi Deputado do Grão-Mestre (Grão-Mestre Adjunto) e, de 1814 a 1816, Gão-Mestre da Grande Loja de Hamburgo e da Baixa Saxônia (naquela época, a Alemanha ainda não tinha sido unificada).

O Ir\ Schröder gozava de grande prestígio, como Maçom e como profano (foi considerado, na época, “o maior ator que a Alemanha já teve”) e era reconhecido como um profundo conhecedor da História e dos Antigos Rituais da Maçonaria. Estudou, principalmente, os livros “As Três Batidas Diferentes na Porta da Mais Antiga Maçonaria – The Three Distinct Knocks at the Door of the Most Ancient Free-Masonry”, de autor desconhecido, sem dúvida o mais antigo manual maçônico impresso; e “Maçonaria Dissecada – Masonry Dissected”, de Samuel Prichard, que continha as práticas maçônicas utilizadas em Londres, em 1730. Examinou, também, os rituais dos diversos sistemas de graus complementares que proliferavam na Europa daqueles tempos. Suas pesquisas o levaram a abolir os chamados “altos graus”, bem como todo o ocultismo que dominava a Maçonaria Alemã, restaurando o Antigo Ritual Inglês, adaptando-o para a cultura e para o idioma germânicos seus contemporâneos. é devido a essa origem comum nos antigos rituais ingleses que o Rito de Schröder é semelhante ao Rito de York (Emulation Rite) sem, contudo, ser uma cópia do mesmo.

O Ir\ Schröder entendia a Maçonaria como uma união de virtudes e, não, uma sociedade esotérica. Por isso, enfatizou, no seu Ritual, o ensinamento de valores morais e a difusão do puro espírito humanístico, dentro do verdadeiro amor fraternal. Preservou a importância dos símbolos e resgatando o princípio que afirma ser “a verdadeira Maçonaria a dos Três Graus de Sãio João”.

O famoso historiador e maçom Findel, na sua História Geral da Franco-Maçonaria, dedica grandes elogios ao Ir\ Schröder, como podemos perceber nesta passagem: “Além de maior pureza de objetivos (comparando-se com os do Ir\ Fessler, que atuava em Berlim) em que se inspiraram seus trabalhos e investigações, sua natureza, sua forma e as circunstâncias exteriores o secundaram ainda mais eficazmente. Estava-lhe reservada a glória de fazer penetrar vitoriosamente a luz entre as trevas do erro, de dissipar as espessas nuvens que obscureciam os resplendores da verdade maçônica e de assentar bases sólidas para atividades de seus Irmãos”.

Pelo trabalho e exemplo, o Ir\ Schröder é venerado e respeitado hoje, como no passado, sendo homenageado pelas antigas Lojas Alemãs e por Lojas e Irmãos em todo o mundo.

O Rito de Schröder apresentou expressivo crescimento a partir de 1995, quando havia 14 Lojas no Brasil. Atribuímos esse crescimento à divulgação nos Seminários de 1995 e 1998 (RS) e 1999 (CE) bem como à fundação do Colégio de Estudos do Rito Schröder de Florianópolis, SC, em 1997. Este Colégio mantém contato com todas as Lojas Schröder do Brasil, buscando a sintonia com os ideais de Schröder e com os rituais da Loja Absalom N.º 1. Visa à uniformidade ritualística e de pensamento, em um trabalho de cooperação entre Lojas das diversas Obediências. Estas iniciativas estimulam muitos Irmãos, alguns mesmo sem deixar as suas Lojas Escocesas; outros, transferindo-se para Lojas Schröder para fundar novas Oficinas. Por utilizar um templo simples, com poucos paramentos e cargos, torna-se muito mais fácil trabalhar em uma Oficina Schröder. Tudo isso contribui para aumentar o número de Oficinas que adotam o Rito. Atento a este movimento, o G\O\B\ criou, em 1999, o cargo de Grande Secretário Geral de Orientação Ritualística – Adjunto para o Rito Schröder, não por acaso ocupado por um dos integrantes do Colégio de Estudos.

Alguns aspectos principais chama a atenção de todos os Irmãos que entram em contato com o Rito: a simplicidade da Liturgia que em nada diminui a sua beleza e profundidade; as palavras amáveis do Venerável Mestre ao iniciando e aos Irmãos; a valorização das qualidades morais do homem; o estímulo ao auto-conhecimento. Pela objetividade, os trabalhos litúrgicos permitem excelente dinâmica. Uma sessão econômica raramente ultrapassa uma hora e meia, tratando-se os assuntos administrativos (ata e expediente) e com a apresentação de trabalhos ou instruções. Já uma Sessão Magna de Iniciação de três profanos, cumprindo-se individualmente toda a ritualística, demora cerca de duas horas e meia.

Por esse motivo, o rito já atingiu o expressivo número de 38 Lojas, no Brasil, o que supera as 36 Oficinas da Alemanha e, temos a certeza, continuará crescendo, para Glória do Grande Arquiteto do Universo.

Os Rituais foram traduzidos dos originais revisados pela Loja Absalom das Três Urtigas N.º 1, em 1960. Essa Oficina, fundada em 1737, uma das mais antigas do mundo, é jurisdicionada à Grande Loja dos Maçons Antigos Livres e Aceitos da Alemanha. Outras informações podem ser obtidas junto à Loja Simbólica Concordia et Humanitas N.º 56 A/C da Comissão de Liturgia e Docência, Rua Ernesto da Fontoura 1144, Porto Alegre, RS, 90230-090, ou nos Rituais e Monitor do Rito de Schröder, homologados pela Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul. Também sugerimos uma visita à página do rito no endereço: http://www.fraternidade.org/concordia/rito.htm.


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RITOS MAÇÔNICOS E LITURGIA

Liturgia - do grego leitorgia = leos, povo + ergon, trabalho ou serviço público, cf. Joaquim Gervásio de Figueiredo, in DICIONÁRIO DE MAÇONARIA, 4.ª Edição, Ed. Pensamento, São Paulo.
Rito - do latim rictus = cerimônia; Solene ato religioso e, por extensão, qualquer das práticas e fórmulas usadas nos diferentes cultos; (...) na Maçonaria (...), o conjunto de regras segundo as quais se praticam as cerimônias(...)

Liturgia - do grego leitorgia = leos, povo + ergon, trabalho ou serviço público, cf. Joaquim Gervásio de Figueiredo, in DICIONÁRIO DE MAÇONARIA, 4.ª Edição, Ed. Pensamento, São Paulo.



Rito - do latim rictus = cerimônia; Solene ato religioso e, por extensão, qualquer das práticas e fórmulas usadas nos diferentes cultos; (...) na Maçonaria (...), o conjunto de regras segundo as quais se praticam as cerimônias(...)

(idem, ibidem)

Os atos litúrgicos de uma ordem, seita ou religião são aqueles que caracterizam a prática ritualística comum a todos os seus seguidores. A codificação das práticas litúrgicas é feita em rituais - conjunto de ações destinado a normatizar e homogeneizar a liturgia, permitindo a sua divulgação entre os adeptos.

Além da liturgia, a Maçonaria, como outras ordens, reúne uma grande quantidade de conhecimento esotérico e exotérico, compilados cuidadosamente pelos maçons, através dos séculos. O modo como esses conhecimentos e princípios são apresentados aos Irmãos e como eles são encarados varia entre os diversos grupos humanos de que se compõe a Maçonaria. Essas variações não descaracterizam a ordem nem prejudicam o seu trabalho. Elas são reunidas em organismos reguladores - altos órgãos que se encarregam de organizar a teoria e a práxis, segundo a linha orientadora escolhida.

Chama-se rito ao conjunto formado pela organização dessas teoria e práxis, segundo uma Oficina-Chefe. São inúmeros e variam, ao longo do tempo, alguns evoluindo e difundindo-se, outros extinguindo-se.

Os ritos surgem e se impõem conforme a sua prática ritualística peculiar e as necessidades do ambiente maçônico. Se assim não fosse, não haveria progresso. E, desde logo, acentue-se: rito regular é universal, porque pode ser praticado em qualquer país. As designações localistas - York, Escocês, Schröder, Brasileiro, Francês, etc. - significam, apenas, a origem, e nada mais. Não há nem pode haver nenhum rito regionalista ou nacionalista, porque sua universalidade é condição essencial; mas, em cada Pátria, todo o rito há-de ser um elemento de progresso moral, cultural e cívico: os que assim não forem, estarão alienados no tempo. Apesar disso, o Rito Brasileiro, o Francês, o Egípcio, etc. levam esses nomes por terem sido criados nos países de que emprestam o gentílico e redigidos para atender às especificidades do país de origem. Nada impede que o Rito Brasileiro tenha oficinas nos EUA ou na Alemanha, assim como oficinas do Rito Francês existem no Brasil em em outros países.

Um rito não reconhece outro rito! Um rito nada tem a ver com outro rito. Jamais se viu, no mundo maçônico, um rito pedir a outro que o considere regular. Não há nem nunca houve reconhecimento de um rito por outro; as potências simbólicas, sim, é que se reconhecem entre si ou não.

Por outro lado, nenhum rito pode tachar outro de irregular: faltam-lhe totais competência, idoneidade e capacidade para isso, sobre ser impertinente ingerência em assuntos que não lhe dizem respeito. Na maçonaria especulativa ou atual (vinda de 1717), o 1.º Congresso Internacional Maçônico foi realizado em 1834 e, nele, se proclamou, solenemente, a independência dos ritos entre si.

Os ritos só têm relação direta com a potência simbólica ou regular, mas são inteiramente independentes entre si, sem prejuízo da vida harmônica em que devem existir.

Não há nenhum rito reconhecido universalmente por qualquer plenário ou órgão supranacional, organizado para assim o decidir. Não há um só rito que seja praticado em todo o mundo, isto é, nos mais de 70 países em que a Maçonaria está em funcionamento. A expressão rito reconhecido universalmente significa, tão somente, que se trata de um rito regular, capaz de ser praticado ou reconhecido em qualquer país. A pedra fundamental é a regularidade: todo o rito regular guarda os arcanos da Maçonaria tradicional.

São vários os ritos maçônicos praticados no Brasil. Alguns deles são apresentados, a seguir, como contribuição e estímulo à pesquisa dos maçons. Os textos são, necessariamente, concisos e podem omitir pontos importantes. Sua finalidade e apresentar uma imagem de cada rito escolhido e instigar a busca de melhores e mais abundantes informações.


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O RITO MODERNO OU FRANCÊS

O RITO MODERNO OU FRANCÊS
O ano de 1717 é tido como o de nascimento da Maçonaria, tal como a conhecemos nos nossos dias, assim como reconhecemos o Iluminismo como tendo aparecido, na Europa, em 1680. Em pleno apogeu do movimento, portanto, pode-se afirmar que a Maçonaria especulativa surgiu como associação destinada ao aprimoramento moral e social do homem a partir do Séc. XVIII. Esses Maçons eram, na sua maior parte, conhecidos pela denominação de antigos (ou ex-operativos) e aceitos (ou iniciados sem serem construtores).


Segundo os pensadores do Rito Moderno, o universo é governado por leis imutáveis com as quais o homem se inter-relaciona. A ordem cósmica é totalmente uniforme e de nenhuma maneira deve ser entendida como milagrosa ou resultante de um poder divino. A sociedade ideal é a mais natural; o selvagem pode ser, eventualmente, superior ao civilizado absolutista que, dentro do seu anacronismo, perpetua o despotismo material e a tirania clerical (apud José Castellani e Frederico Guilherme Costa, in Manual do Rito Moderno, A Gazeta Maçônica, 1991, São Paulo). Ora, desta forma, segundo os autores citados, falar em Maçonaria Moderna é o mesmo que louvar o movimento iluminista, cujo apogeu denominamos ilustração.

A Maçonaria Moderna adota uma posição coerente com a religião natural, que busca reunir os homens em um centro – o Centro de União – como Anderson o chamava. Caracteriza um deísmo em que Deus não é negado mas não se lhe atribui a função de Criador ou primeiro motor da vida. Os enciclopedistas franceses esposavam a idéia de que a razão deveria nortear a aquisição dos conhecimentos, evitando-se a atribuição de motivos ocultos, malignos ou mágicos aos fatos que a ciência, pelo estudo, teste e raciocínio, poderia explicar. Assim, Voltaire, Diderot, Montesquieu, D'Alembert, Rousseau e outros rechaçavam o teísmo exacerbado, reagindo contra o excesso de intervenção do poder religioso atemporal sobre o poder do Estado, temporal.

O racionalismo do Rito Moderno tem muita semelhança com aquele proposto por Rousseau, em seu Contrato Social, que procurou fundar uma sociedade e um Estado baseados na razão. Segundo o Rito, a moderna Maçonaria, ao nascer, representa uma das mais extraordinárias manifestações da Idade da Razão, por satisfazer ao deísmo e ao racionalismo e, ainda, pelas incertezas que desviava um dos aspectos de suas atitudes racionais para o mistério.

A Maçonaria moderna surgiu quando, em 1717, quatro lojas de Londres se reuniram para formar a Grande Loja de Londres, orientando-se para os estudos teóricos e afastando-se da prática da construção. As Constituições de Anderson, de 1723, contém a história da Instituição, os princípios gerais, posteriormente convertidos em controvertidos landmarks, e as obrigações dos Maçons.

A denominação de Rito Francês aparece, inicialmente, num processo de uma deliberação do Grande Oriente de França, de 25/12/1799, sobre uma loja de Nova Iorque sob o Rito Francês. No século seguinte, o mesmo rito será conhecido como Moderno, o que se constata no Guide des Maçons Écossais ou Cahiers des Trois Grades Symboliques du Rit Ancien et Accepté (idem). Tudo indica que o nome de Rito Francês e, depois, Rito Moderno, foi utilizado pelo Grande Oriente de França em oposição ao nome Escocês, usado por vários ritos praticados na França, no século XVIII.

Sabe-se que a Maçonaria foi introduzida, na França, por volta de 1725, por emigrados jacobinos ingleses. Até 1751, praticava-se um rito uniforme, em todas as lojas da França, quando surgiu, na Inglaterra, a Grande Loja dos Antigos, que denominou, incontinenti, a Maçonaria de 1717 de Modernos. Daí a longínqua origem da denominação do Rito Moderno, dado ao Rito Francês pelos Maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito, fiel à tradição de 1717.

Nota-se, pela leitura dos antigos rituais franceses, que a tendência deísta desde logo se caracterizou, como a ausência do Livro da Lei (a Bíblia), o juramento sobre os Estatutos da Ordem, diante do Grande Arquiteto do Universo (e não sob seus auspícios, inspiração ou proteção). O ritual de 1785 não é cristão e não faz referência a nenhuma tradição religiosa em particular. O juramento, a propósito, começa assim (idem): "- Sim, Grande Deus, eu prometo ser fiel à Santa Religião...", sem especificar qual é ela. Este exemplo é o mais antigo de um juramento onde não há referência ao cristianismo.

O Altar dos Juramentos nos templos é uma invenção relativamente recente (e até hoje ainda não está fixada). No princípio, os compromissos solenes eram realizados à frente da mesa do Venerável, que correspondia ao Santo dos Santos do Templo de Salomão. Posteriormente, o Livro da Lei passou a ser colocado em um tamborete ou mesinha, à frente do altar, como uma extensão deste. A partir de então, essa mesinha tomou outras formas, até chegar à triangular de hoje, além de peregrinar do Oriente ao Ocidente e vice-versa, em busca de uma posição ainda não consensual, nos dias de hoje. Por isso, o Rito Moderno manteve-se fiel à antiga prática e aboliu a mesinha.

Até 1740, não havia Bíblia no recinto do templo maçônico, o que começou a aparecer por ordem do Grão Mestre da Grande Loja de Londres, que alegou que os maçons operativos prestassem juramento sobre esse livro. Na realidade, tratava-se de obter o beneplácito da Igreja Anglicana que, opondo-se à Igreja Católica, seria um poderoso aliado contra a oposição ferrenha desta contra a Maçonaria – um gesto político, portanto. O Rito Moderno não incluiu o Livro da Lei em seus Rituais e o mantém em loja fechado, como peça decorativa.

O Rito Moderno é adogmático, desde 1877; isto é, ele não aceita cingir-se a afirmações axiomáticas que não sejam verificadas pelo estudo, pela reflexão e pela experimentação. Por isso mesmo, não abre seus trabalhos como nos ritos ditos teístas nem presta juramentos sobre a Bíblia ou qualquer outro livro conhecido como sagrado. Por outro lado, ele se manteve fiel à tradição antiga, de ter somente três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre, sem ceder à tentação de criar uma escada oligárquica de graus superiores, como os do Rito de Heredom seus descendentes. O sistema maçônico francês, portanto, sempre se voltou para o Humanismo, para a Filosofia Moral, o descobrimento do homem pelo homem, que é educado liberalmente, tornando-se digno, livre e de bons costumes. Ele combate qualquer tipo de agressão à vida e à dignidade de qualquer partícipe da Grande Sociedade, tratando com cuidado o nacionalismo exacerbado e o fanatismo de um poder centralizado.

Para os estudiosos, parece ser um bom começo a leitura do livro, já mencionado antes, Manual do Rito Moderno – Grau de Aprendiz, de José Castellani e Frederico Guilherme Costa, que apresentam importantes pormenores da história e das tradições do Rito, além dos assuntos relativos ao primeiro grau.


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